O Partido dos Trabalhadores completou trinta e seis anos de existência em evento modesto, discreto e, surpreendentemente, sem a presença de Dilma Rousseff; e com Lula vivendo um inferno astral.
É inegável que o partido está rachado. Há uma ala que, publicamente, está em rota de colisão com o governo de Dilma, especialmente por reprovar sua condução a política econômica recessiva.
O PT, que surgiu com uma proposta política nova já no ocaso da ditadura militar, veio com a marca de um partido de esquerda, com clara opção pelos descamisados, ostentando bandeiras realmente atraentes, a exemplo de combate à corrupção, reforma agrária e distribuição de renda.
Quando de sua fundação, era liderado por intelectuais de esquerda, sindicalistas, e alguns expoentes da cultura e do universo artístico. Vários desses haviam sido execrados e até banidos pela ditadura militar. Estavam sem vez e sem voz.
Não se pode negar que o PT prestou relevantes serviços ao país. Conseguiu eleger e reeleger Lula e Dilma, combateu oligarquias políticas e assim ajudou a consolidar a democracia.
Porém e infelizmente, à medida em que o partido ia se consolidando nas urnas, na mesma proporção foi sendo corroído por especuladores e oportunistas, alguns desses, gente que o próprio partido havia combatido no passado.
Agora, o próprio partido faz o mea-culpa. Acabou reconhecendo, em recente documento, que necessita passar por uma revisão de seus curso e ter um viés de moralidade.
Mas, muito mais importante do que apenas reconhecer equívocos e a desastrosa mudança de rota, o partido precisa saber com quem contar neste momento.
Precisa ‘separar o joio do trigo’, assumir o risco de perder uma eleição, mas não ‘entregar a alma ao demônio’, não fazer alianças apenas para chegar ao poder e ter que entregar, depois, sua autonomia de governar aos aliançados.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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