Morreu Maria Aparecida Ferri de Oliveira, exemplo de força perante a dificuldade


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Maria Aparecida Oliveira foi sepultada no Cemitério da Saudade de Ribeirão Preto
Maria Aparecida Oliveira foi sepultada no Cemitério da Saudade de Ribeirão Preto
Morreu na Santa Casa de Misericórdia de Franca, no dia 27 de fevereiro, domingo, a senhora Maria Aparecida Ferri de Oliveira, aos 87 anos. Em 19 de fevereiro, foi internada em razão de um AVC, sofrido em casa. Diabética e hipertensa, foi estabilizada. Semana seguinte, acometida por pneumonia, foi novamente levada à Santa Casa. Não resistiu. No atestado de óbito constou parada respiratória.
 
Era natural de Guardinha (MG). Casou-se com o lavrador Agenor Luciano de Oliveira, natural de São Sebastião do Paraíso. Tiveram 52 anos de enlace (até a morte dele, em 1994), um filho, José Aésio (casado com Marindalva), três netos (Emerson Cosmo, casado com Olga; Marcos Roberto, casado com Mildreana; Rafael, casado com Amanda) e sete bisnetos (Alice, Emerson Filho, Davi, Gabriel, João Victor, Isadora, Mariana).
 
Casados, rumaram para Ribeirão Preto onde tinham parentes e pretendiam me-lhorar de vida. “Meus avós montaram um banca de salgados e passaram a participar de feiras livres da cidade. Moravam muito longe. Para chegar à feira e comercializar os salgados que vovó fazia, tinham que dormir muito tarde e levantar muito cedo. Percorriam o caminho de charrete. Meu pai também atuava com eles”, disse Rafael, neto.
 
A vida permanecia dura, cada centava era suado. “Ainda assim, tudo o que faziam era para o filho. Queriam que ele estudasse, e queriam o melhor do mundo para ele. Desde cedo, papai revelou pendores para a música, gostava de cantar e tinha habilidade com instrumentos musicais. Vovó convenceu vovô a dar ao filho o que pudessem para honrar seu talento. Possibilitaram a que estudasse canto e piano. Até um piano, adquirido com muito sacrifício, lhe deram. Papai correspondeu. Apresentou-se em várias oportunidades com a orquestra de Ribeirão, seja ao piano ou cantando, no Teatro Dom Pedro”, disse Rafael.
 
Foi em Ribeirão Preto que José Aésio conheceu Marindalva, empregada da tradicional empresa Balú, de departamentos. Em sete meses, estavam casados. Agenor e Maria Aparecida viam a família crescer, mas continuavam preocupados com as dificuldades para encontrar atividades novas. Franca apareceu como solução. “José Aésio, meu pai, conseguiu emprego na Alpargatas, e se mudou com mamãe para a cidade. Mais um tempo e montou, com mamãe, lanchonete na rua Campos Salles — a Pão Pão, Queijo Queijo, perto do antigo cinema Odeon. Cinco anos passados, decidiram-se por trazer meus avós para a cidade”, disse Rafael. 
 
Agenor chegou à terra do calçado e pôde, novamente, empreender na área a partir de algumas experiências anteriores: montou uma banca de consertos. Maria Aparecida se dedicou a serviços domésticos, para fortalecer a renda familiar. “Era muito bom desfrutar da proximidade deles. Posso dizer que meus pais e nós, os netos, conquistamos muitas de nossas vitórias pessoais e profissionais, pela simples observação da dedicação deles ao trabalho e ao amor de um pelo outro. Mesmo já idosos, continuavam trabalhando com um sorriso no rosto. Vovó, em certa época, deixou o traba-lho para cuidar de vovô, que enfrentava problemas de saúde. Eu diria que era sempre uma mulher de bastidores. Aparecia raramente, mas quando aparecia, era decisiva. Foi amorosa, cari-nhosa, atenciosa, generosa, supermãe e superavó. Uma prima nossa, de Ribeirão, disse-me, certa vez, que Maria Aparecida foi a pessoa que mais lhe disse ‘eu te amo’. Verdadeiramente ela distribuía amor. Deixou-nos a certeza de que o amor é a receita perfeita da vida’, encerrou Rafael.
 
Maria Aparecida teve seu corpo trasladado para Ribeirão Preto pela Funerária Nova Franca. Lá, seu velório foi cuidado pela Funerária Prever. O sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade de Ribeirão Preto, dia 18. 

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