Não basta o dinheiro; tem que saber gastar


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A lição de qualquer economista é que não se deve gastar mais do que se recebe. É o básico: qualquer dona de casa ou gestor da iniciativa privada sabe e por causa disso usa do dinheiro disponível no orçamento da forma mais responsável possível, buscando promoções para evitar o endividamento. A dona de casa troca um produto mais caro por outro similar, mais barato, para não desfalcar a despensa. O gestor privado faz a mesma coisa, no sentido de evitar que reflexos da crise, como a retração na produção, causem prejuízos maiores como demissões e até o encerramento das operações. A eles, não é permitido reduzir a responsabilidade, aumentar impostos para arrecadar mais ou então criar tributos para cobrir rombos. Necessitam, sim, manter o poder de compra sem prejudicar o orçamento.
 
Por isso é que os gastos são planejados e executados com a maior precisão possível. Já na administração pública, as coisas não acontecem assim. O dinheiro do contribuinte é utilizado de forma leviana, sem qualquer preocupação com a responsabilidade e a economia. Verbas para setores sensíveis como Saúde e Educação seguem caminhos obscuros e quase nunca chegam onde há maior necessidade, ou seja, aos que mais precisam. Grande parte da população brasileira depende destes serviços, mas como a imprensa tem destacado nos últimos anos, a qualidade da Saúde Pública, em maior escala, tem sido cada vez pior. Não é possível um País como o nosso acompanhar estático a morte de pacientes na fila do atendimento, prontos-socorros lotados, hospitais com leito de menos e doentes de mais.
 
Quando se fala em investimentos, os números frios apresentados pelos governos, em suas três instâncias, dão bem a dimensão do problema. As verbas nunca são suficientes por mais substanciais que sejam. O caso da saúde é revelador: Estados que gastam menos conseguem dar uma melhor assistência à sua população, enquanto outros investem até o triplo e vivem em caos permanente. Faltam remédios, equipamentos e até médicos, uma vez que parte do dinheiro é desviada por fraudes (como a das próteses) e até para o bolso dos gestores públicos. O Brasil precisa adotar a responsabilidade fiscal aprovada há mais de uma década como norma pétrea e permanente, o que permitirá que os gastos não superem a arrecadação. Além disso, é necessária uma completa hidratação no serviço público para que o dinheiro arrecadado com impostos faça mais do que vem fazendo agora, beneficiando as faixas mais necessitadas da população e não o bolso daqueles que ampliam estes problemas ao locupletarem.
 
 
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