Belo e bom


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Normalmente, gostamos das coisas belas, e somos por elas atraídos. Belo é sinônimo de bom. Revela harmonia, equilíbrio e forma definida. Acredito, porém, que belo pode se tornar feito, bom em mal. E vice-versa. 
 
O ser humano é uma bela criatura, mas, desviando-se de preceitos morais, éticos e religiosos, seus atos, condutas e posturas podem transformá-lo em desprezível. Aristóteles, em Retórica, afirma que o belo ‘sendo preferível por si, é digno de louvor, ou o que sendo bom, é agradável pelo fato de ser bom. Se o belo corresponde a esta definição, a virtude é necessariamente bela’.
 
Atravessamos momento histórico em que virtudes estão sendo desprezadas. A política é a arte de cuidar do bem comum, e deveria ser virtude ser político para cuidar de pessoas, cidades e da nação. Ocorre que a verdadeira política perdeu espaço para seus antônimos — politicagem, sacanagem. Quando ouvimos as palavras ‘política’ e ‘políticos’, imediatamente nos remetemos a corrupção e falta de escrúpulos. 
 
Está na hora de resgatar o verdadeiro significado dessas palavras e de suas finalidades belas e essenciais. O Brasil e muito mais que alguns políticos que não são virtuosos. É tempo de olhar para nosso íntimo e refletir. Queremos que os outros sejam íntegros, honestos, dignos, virtuosos, mas, nem sempre somos. Exigimos, dos outros, condutas que não praticamos. 
 
Queremos beleza, bondade e perfeição alheia, porém, quando somos instigados a nos manifestar, revelamos feiura, maldade e defeitos. 
 
O Brasil precisa de um estadista, não de salvadores habitualmente transgressores que desvirtuaram funções para as quais foram eleitos. 
 
Será que teremos um Mandela brasileiro? Não foi perfeito, mas foi grande estadista, líder, capaz de dialogar com as diferenças e valorizar o povo africano. 
 
O povo brasileiro é belo e bom. Pode, perfeitamente, abrir mão de políticos que dizem o contrário com suas ações desvirtuadas. 
 
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Unifran/Cruzeiro do Sul 

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