O deputado Roberto Engler (PSDB) foi o convidado especial para a inauguração do Boteco do Tio Lima, quadro que estreou, ontem, no programa Rádio Cidade, apresentado por Everton Lima, na rádio Difusora. Durante uma hora, o parlamentar falou de sua trajetória política, das relações conturbadas com Sidnei Rocha desde a época em que eram jovens atiradores do Tiro de Guerra e do sonho frustrado de não ter conseguido se tornar o prefeito de Franca. O tema “pedágios” e o racha com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), de quem era aliado há 25 anos, foram o cardápio principal do papo de boteco.
A mágoa pela indiferença com a qual Engler foi tratado pelo governador durante toda a polêmica do pedágio ainda o incomoda. Além de ter ignorado duas cartas e três pedidos de audiência, Alckmin não o convidou para a reunião ocorrida com prefeitos, sexta-feira, no Palácio dos Bandeirantes. “Gostaria de saber porque ele agiu assim comigo”.
O deputado disse que cabe ao parlamentar passar para a população o compromisso que ouve do governador. Foi assim em relação à promessa de que as rodovias seriam duplicadas sem pedágio. “Sempre avisei a população. Governador nenhum deixou de cumprir sua palavra. Agora, de repente, vi que esse governo pisou na bola. Aliás, não foi só aqui. Ele fez o mesmo na região de Sorocaba”. A exemplo do que ocorreu em Franca, Alckmin também anunciou, na semana passada, o cancelamento dos pedágios em Sorocaba após reações contrárias da população.
Engler afirmou que, mais do que a palavra quebrada, incomodava o fato dos pedágios serem instalados sem que houvesse qualquer tipo de benfeitoria. “Não podíamos aceitar pedágio sem investimento. Fomos chamados apenas para pagar a conta. Mas, os protestos geraram um fato novo: o governador começou a falar de duplicação, o que não constava do projeto inicial da Artesp. Ele inventou investimentos”, disse.
O deputado não tem dúvidas de que a implantação dos pedágios, como pretendia o governo, não seria cancelada se não fosse a mobilização regional por meio de bloqueios nas rodovias, moções de repúdio nas Câmaras e protestos de entidades, além do discurso contundente que ele próprio fez na tribuna da Assembleia Legislativa. “Em política, tem que ter pressão, senão o governante não houve a voz da população. A sociedade colocou lenha na fogueira. O governador teve bom senso e escutou a voz do povo, ouviu o panelaço da Mogiana. A vitória é de todos”.
Engler disse que tinha dois objetivos quando entrou no que chamou de “guerra santa”. O primeiro, ajudar a impedir a vinda dos pedágios. O segundo, resolver a relação pessoal com o governador. “Passei o recado para ele no plenário: Eu represento 700 mil pessoas da região e o governador tem a obrigação de me receber. Não é fazer favor, não, é obrigação. A peteca ficou com ele. Vou aguardar ele refletir. No dia que ele me chamar, irei desarmado para tentar eliminar as divergências existentes”.
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