Morreu às 7 horas do domingo, dia 28, no Hospital Regional de Franca, dona Philomena Posa Paludetto, aos 97 anos - faria 98 no próximo 8 de março, Dia Internacional da Mulher ‘em sua homenagem’, como gostava de dizer. Foi acometida por AVC (Acidente Vascular Cerebral) no início da manhã do dia 26, sexta-feira, e imediatamente socorrida pela família. A extensão da hemorragia lhe tirou, imediatamente, parte dos movimentos do lado esquerdo do corpo, bem como a fala e o movimento das pálpebras. Entendia o que ocorria a seu redor e respondia as perguntas da família através de gestos. O agravamento do quadro lhe trouxe o coma, do qual não saiu até a morte, na manhã do domingo.
Chegava ao fim a vida de uma senhora doce, alegre, presença que vários profissionais da mídia Francana conheceram e respeitaram como a uma segunda mãe. Não à toa, após a construção do prédio que abrigou a rádio Difusora AM 1030 ao lado da residência dela, tradicional endereço da rua Estevam Leão Bourroul, os profissio-nais do prefixo lhe deram o título de ‘madrinha da rádio’: lá pelo meio da tarde sempre levava café recém passado e bolo para os ‘afilhados’ da rádio. Além disso, se faltasse açúcar na cozinha da rádio, era só bater à sua porta e tudo se resolvia.
Philomena era seu nome de registro civil, anunciado ao oficial do cartório por seu pai. Sua mãe não aceitou. Queria Augusta, e esse foi o nome a constar no registro de batismo. Ficou Augusta. Assim se chamava a jovem bonita que todas as tarde corria para a janela de sua casa, na Estação, para ver passar o moço Geraldo, calheiro. Conheceram-se, se apaixonaram e se casaram, ela aos 18 e ele aos 23 anos.
Para construir a vida, ele abriu marcenaria e ela foi trabalhar como selecionadora de café em empresa da rua Diogo Feijó, região de escritórios de representação dos mais importantes cafeicultores francanos e da região. Mudaram de ramo quando resolveram, juntos, abrir venda de secos e mo-lhados no bairro ‘dos Coqueiros’, onde, em anos seguintes, se instalaria o Posto São Paulo Minas, avenida Champagnat. Mais algum tempo, negócios pessoais melhorando, Geraldo se mudou com Augusta para o bairro do Cubatão e se dedicou a mais um empreendimento, desta feita, máquina de beneficiar arroz, na avenida Presidente Vargas. Começaram também, nesta época, a construir a residência que sonhavam ter, esco-lhendo o bairro Cidade Nova e a rua da igreja, Estevam Leão Bourroul. Nela, moraram até o fim de suas vidas - Geraldo, que também foi filatelista e fundou o Clube Filatélico de Franca, morreu há 16 anos.
Do enlace, nasceram três filhos (Ângelo, casado com Elaine; Doralice, casada com Oilton Chaves; Maria Augusta, casada com Marcos Antônio Alves Molina, falecido), dez netos (Sérgio, Carolina, casada com Rodarte Gomes de Sousa; Cláudia, Maria Alice, casada com Carlos Sérgio Tozzi; Mara, casada com Afrânio de Pádua Neto; Oilton Júnior, casado com Cléria; Fernanda, casada com Alex Cintra Chagas; Karina, Marcos, casado com Débora; Marcel) e quinze bisnetos (Frederico, Miguel, Matias, Maria Fernanda, Rodrigo, Éric, Estevão, Saulo, Lucas, Tobias, Daniel, André, Felipe, Isadora, Lorenzo).
Esta grande família podia ser vista com regularidade na casa da mãe, avó e bisavó. “O café da tarde, servido por vovó de segunda a sexta-feira; e o almoço e café da tarde dos sábados eram sagrados para todos nós. Não havia quem não desse uma escapadinha para passar por lá, mesmo que rapidamente. Vovó era uma mulher incrí-vel, dona de bom humor só dela — até palavrões ela dizia e não havia quem não risse — e de grande vontade de viver, de tudo fazia piada. Não à toa ninguém conseguia escapar dela; ela nos adorava, e todos nós a adorávamos”, disse Karina.
Sobre o jeito de ser de Augusta, a neta disse que “estar chique sempre” era outra das receitas da avó para sentir-se bem e fazer com que todos os que com ela convivessem, também assim se sentissem: “ela ia cami-nhar, calçava o tênis e não abria mão de um colar de pérolas”, disse rindo.
“Vovó sabia mesmo como conquistar as pessoas. Fez amigos dentre todas as clas-ses sociais. Dos radialistas, gostava pra valer. Era excelente cozinheira mas, de uns anos para cá, começou a encomendar marmitas para se alimentar. De quando em quando, não resistia. Voltava à cozinha e fazia seus ‘complementos’ — macarrão de panela, lasanha, polenta — e corria ao telefone, para chamar gente da Difusora para um almoço”, disse. Seu dinamismo foi inesgotável. “Me lembro dela dando receitas de pratos nos programas das cronistas Patrícia e Augusta Caleiro e fazendo sucesso. Aliás, sucesso, alcançou em tudo o que fez. Como bordadeira, trabalhou fazendo aplicação de marcas comerciais em peças de vestuário, máquina de costura a pedal e ela, raríssima competência, produzindo mara-vilhas. Também bordou em richelieu. Foi até homenageada na Noite E.P. da Patrícia, por essa habilidade”, disse Karina
Quinta-feira da semana passada, houve o último “café da tarde de Augusta”. A família passou por lá. Karina, em viagem de estudos, não foi. Tinha sido “cobrada” pela avó pedindo que ficasse. “Ela disse: ‘FDP (sic), não vá. Vou morrer antes de meu próximo aniversário’”, contou Karina. “Falava e ria. Brincamos, eu e ela e eu dizia: ‘Pare de dizer isso. A senhora é eterna’. Mas, esqueci-me que ela não era. Eterna será a saudade de sua forma de ser para multiplicar alegria fosse onde fosse que estivesse. Apesar de sua partida, estamos tranquilos. É como ela gostaria que estivéssemos. Deve estar, agora, fazendo anjos sorrirem com sua alegria e, especialmente, com seu café da tarde regado a bolinhos de chuva, pipoca doce e café”, completou a neta.
O velório de Augusta Paludetto foi no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, aconteceu ontem, dia 19, 16 horas, no Cemitério da Saudade.
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