Afundado num lodaçal de acusações que colocam em risco a sua própria existência, o Partido dos Trabalhadores ainda se considera em condições de ditar os rumos da política econômica brasileira. De maneira simplista, crê piamente que a presidente Dilma Rousseff (PT) tem que retomar a diretriz adotada pelo seu antecessor, Luís Inácio Lula da Silva, além de elevar impostos, recriar a CPMF, aumentar os gastos públicos e trocar o ministro Nélson Barbosa (Fazenda), que sucedeu um acuado Joaquim Levy por causa da pressão do próprio partido. Trata-se de um fogo amigo arrasador, que impede ainda que a base aliada não fale a mesma língua para discutir e aprovar as medidas propostas até agora, ao mesmo tempo em que o Planalto mostra verdadeiro desinteresse em atacar de frente a crise e colocar em prática o que vinha sendo proposto, como cortes nos gastos com a redução da estrutura ministerial e de cargos comissionados.
O que os petistas não entendem é que o Brasil chegou a esta situação por causa dos erros cometidos desde o primeiro mandato de Lula. As poucas medidas tomadas para equilibrar a economia quedaram-se apenas no estímulo ao consumo com as desonerações de vários setores produtivos. Isso aconteceu logo após a crise global de 2008 e na época já alertávamos por aqui o perigo de seguir este caminho, pois a explosão desta bolha de consumo levaria a uma inadimplência recorde (o que aconteceu). Como a economia do País ainda vivia os bons tempos da estabilidade econômica garantida pelo Plano Real, Lula pôde se reeleger e manter a estratégia, que não foi mudada sob Dilma. Desta vez, as pedaladas fiscais e a contabilidade criativa passaram a desenhar um desempenho que o Brasil não apresentava. E deu no que deu.
Hoje, sem qualquer alternativa do que tentar livrar os seus principais nomes de uma constrangedora investigação sobre corrupção, o PT corre o risco de sair das próximas eleições muito menor do que hoje e sem perspectivas de repetir os êxitos eleitorais dos últimos 12 anos, acredita que tem todas as respostas para o enfrentamento da crise. Ocorre que, por causa das diversas investigações da Justiça e da Polícia Federal, falta-lhe estofo moral para impor à presidente um retorno ao passado, que poderá ser ainda mais danoso, pois perdemos a estabilidade econômica construída sob Itamar Franco e FHC e caminhamos céleres para a recessão. Não é com novos impostos e a mudança do ministro da Fazenda, entre outras, que conseguiremos reverter esta situação difícil. Precisamos de um governo com credibilidade, que trate os cofres públicos com responsabilidade e não queira cobrar do brasileiro uma conta que ele não deve. E isso, hoje, nós não temos, infelizmente.
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