A relevância da rodovia Rionegro e Solimões, estrada velha de Batatais, não condiz com o cenário de desleixo no qual se encontra. Embora circule diariamente por ali caminhões carregados de areia, laranjas, cana e outros produtos, além de máquinas agrícolas, utilitários, carros de passeio e de transporte escolar, os motoristas enfrentam uma via repleta de buracos camuflados pela água da chuva represada, trepidações, lamaçal e lixo jogado às margens.
Quem depende da via, se queixa do descaso e falta de manutenção. “Pelo movimento que a rodovia tem, ela já deveria ter sido asfaltada”, disse o tratorista Francisco Corandim. “É uma estrada que dá acesso a Batatais, a Restinga, à Cevasa, à estação nova da Sabesp e a muitas fazendas, deveria ser melhor cuidada”, completou motorista Luís Gustavo de Oliveira.
De acordo com os relatos de quem usa a estrada, o estado precário da rodovia tem refletido em prejuízos frequentes e até mesmo em acidentes. “Passo pela Rionegro umas três, quatro vezes ao dia e é isso aí sempre: lixo e buracos. Faço manutenção no meu carro mensalmente porque sempre dá problemas na suspensão, no freio e desgaste do carro”, disse o encarregado de uma das fazendas daquela região Carlos Henrique Otávio. “Fora acidente, que acontece direto. Tem um poste caído logo à frente que foi por colisão”.
Para tentar evitar alguns dos problemas, os moradores das propriedades rurais têm tomado a iniciativa de tentar fechar, ou amenizar os buracos, que muitas vezes ficam em curvas, oferecendo perigo, e entradas de fazendas. “Estou tapando uns buracos porque a estrada está muito feia e, como os caminhões estavam ‘encravando’ na entrada da fazenda, estamos fazendo esse serviço por conta própria”, afirmou Luís Gustavo.
A reportagem entrou em contato com o engenheiro do DER (Departamento de Estradas e Rodagem) em Franca, Alfredo Lázaro Neto, e ele afirmou que há uma programação para efetuar reparos no local. “Estamos dando início à recuperação das poças mais profundas e o restante das melhorias (serão feitas) após a paralisação das chuvas”, afirmou.
Cantor Rionegro
Dono de uma das propriedades rurais que circundam a rodovia, o cantor Rionegro, da dupla com Solimões, afirma se sentir chateado com o fato de ver seu nome associado a um local “ligado a coisas negativas”. “A homenagem (nome da dupla dado à rodovia) é uma coisa boa. Mas ficamos chateados de ver o nosso nome numa coisa tão mal cuidada. Quem usa a rodovia, sempre faz alguma piadinha ou acaba cobrando da gente uma solução. Se não melhorar aquilo ali, queremos pedir para tirar o nosso nome dela”.
O cantor disse que transita pelo local com frequência e que a situação é normalmente precária. “Passo por lá quase todos os dias. Ando 6 km por ela até chegar à minha fazenda e o que eu vejo é uma estrada péssima. Vão dizer que está assim por causa das chuvas, mas não, ela é cheia de buracos e com lixo pra todo lado sempre. Não existe manutenção”.
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