Embora pudesse se candidatar à licitação que deve ser lançada na próxima semana, para gerir as residências terapêuticas, o presidente da Fundação Espírita “Allan Kardec”, Wanderley Cintra, afirma que a entidade não tentará participar do projeto.
“Deixamos bem claro que não temos interesse. Se estando no hospital (com estrutura maior) já é difícil, porque são pacientes psiquiátricos, imagina em casas espalhadas pela cidade?”, disse Wanderley. “Temos pacientes que estão conosco há 50 anos e a maioria não tem mais vínculo familiar. Aqueles que têm, a família não possui estrutura. Os pais são idosos também.”
Quanto à proposta de ressocialização dos pacientes, Wanderley é firme em dizer que não acredita nessa aposta. “Esses pacientes passaram a maior parte da vida conosco. Se há algum laço familiar que eles têm está formado ali dentro, com nossos médicos, nutricionistas, enfermeiras, psicólogas e todo mundo. Eu entendo que isso (a desinternação) é uma aventura. Agora, se é para fazer política, que se faça, mas assuma a responsabilidade depois.”
Ainda segundo Wanderley, o projeto das residências terapêuticas existe há muito tempo, mas nunca foi movimentado antes do imbróglio entre a Prefeitura e o hospital, que teve início em agosto do ano passado, quando o vínculo entre ambas não foi renovado por orientação do Ministério Público Federal.
“Já fizeram (Ministério da Saúde, Secretaria Estadual da Saúde e Secretaria Municipal de Saúde) três ou quatro avaliações dos nossos moradores e nunca cogitaram retirar ninguém”, afirmou.
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