Não é de hoje que Comércio da Franca, rádio Difusora e Portal GCN vêm alertando a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, de que vinha tendo uma atuação que poderia levá-la para a cadeia. Desde o início das denúncias, graves, que envolvem a sua área de atuação, a secretária tem se mantido calada, como se nada dissesse respeito a ela. Atitude um pouco diferente teve o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que preferiu usar o deboche e a desfaçatez ao se referir ao assunto. Nada parece sensibilizar a dupla. Nem a suspeita de que pelo uma dezena de francanos teria morrido após atendimento na rede pública de saúde. Muito menos a constatação de que nove médicos foram contratados para atuar em Franca, valendo-se ainda da criação de planilhas de plantões falsos para inflar os repasses que eram feitos ao ICV (Instituto Ciências da Vida), responsável por introduzir esta verdadeira quadrilha nos Prontos-socorros “Dr. Álvaro Azzuz” e Infantil.
A sequência da CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara Municipal para apurar a ação dos falsos médicos e os contratos com o ICV tornam especialmente delicada a situação da secretária Rosane. O ex-diretor-administrativo do PS “Álvaro Azzuz”, Ricardo Veríssimo, depôs quinta e confirmou as declarações que já havia dado ao Ministério Público do Estado. Ele garantiu que apresentou fichas de plantões falsificadas a Rosane Moscardini ainda em 2014, sendo que nenhuma providência foi tomada. Ao reunir mais material e enviar à secretária, foi surpreendido com a transferência para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento. Segundo ele, nenhuma providência efetiva teria sido adotada pela Prefeitura para apurar as denúncias ou mesmo afastar o médico do atendimento. Sobre os falsos médicos, o então diretor também desconfiou do trabalho deles e disse que comunicou todas as suspeitas à secretária. Nada foi feito.
Resta agora à Rosane Moscardini se posicionar e dar as explicações que todo município de Franca espera desde quando o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) abriu processo sobre a indústria das horas-extras na secretaria sobre sua responsabilidade. Ou então a respeito das mortes suspeitas relacionadas ao atendimento médico. E, finalmente, sobre a quadrilha de falsos médicos. Se não der qualquer explicação plausível -- e há provas robustas de que ela tinha conhecimento de tudo -- e mantiver o mutismo, estará admitindo todas as acusações. E, com ela, o prefeito Alexandre Ferreira, com quem começaram os problemas na área de saúde, hoje sucateada e sem qualquer condição de oferecer um serviço no mínimo desejável aos francanos. Ambos correm o risco de seguirem de mãos dadas para uma cela, destino daqueles que brincam com a saúde dos cidadãos a quem deveriam acudir e cuidar.
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