Acostumada a lidar com o atendimento de emergências devido à profissão, a enfermeira Magda Aparecida da Silva, 42, esteve no papel de vítima na tarde da última quinta-feira, 25. Ela seguia pela avenida Major Nicácio, com sentido ao Jardim São Luiz, quando uma árvore caiu sobre seu carro, um Pointer azul, ano 86. Ao seu lado como passageira, estava a filha mais nova, a estudante Rafaela da Silva Duque, de 11 anos.
“Foi tudo muito rápido. Só consegui pensar em salvar minha filha. Depois pensava que não sairia dali”, disse Magda, ainda abalada com o acidente.
Mãe e filha passam bem, estão em casa, no bairro da Estação, e tentam aos poucos esquecer os momentos de pânico que viveram. “Saímos para ir na casa da minha filha mais velha e não estava chovendo. Quando chegamos na avenida, começou a chover forte e a ventar muito. Comentava com a minha filha dos galhos caindo e reduzi a velocidade, foi quando a árvore caiu sobre nós”.
A enfermeira disse que de instinto pensou em proteger a menina e mandou ela soltar o cinto de segurança e abaixar na frente do banco. “Não houve tempo para mais nada. Depois disso, o teto afundou e fiquei pressionada contra a direção, com o rosto colado na buzina, que disparou”.
Populares foram em socorro às vítimas e ajudaram a retirar a garota pelo porta malas. Magda, por estar presa às ferragens, precisou esperar a chegada dos bombeiros para ser resgatada. “Quero ter a oportunidade de ir até eles agradecer. É um trabalho muito bonito. Na minha profissão, sempre estou em contato com os bombeiros, mas nunca estive como vítima”, disse ela.
Segundo a motorista, enquanto aguardava o resgate, muitas coisas passaram por sua cabeça. “Pensava que não sairia dali, que ficaria com sequelas, que todo o teto do carro iria ceder”, contou.
Em recuperação, após ficar até a madrugada em observação, mãe e filha planejam como será a volta à rotina, agora sem o carro da família, que teve perda total. Magda utilizava o veículo todos os dias para levar a caçula até a casa da filha mais velha e depois seguir para o serviço, no Jardim Petráglia, onde trabalha no período noturno. No dia seguinte, ela sai do trabalho, vai até o Jardim São Luiz buscar a menina e só depois segue para casa. “De ônibus todo esse deslocamento fica inviável, principalmente por causa dos horários”.
A enfermeira, que ainda ontem sentia muitas dores na cabeça, pescoço e pelo corpo, disse que na próxima semana pretende procurar um advogado no intuito de pleitear uma ajuda do município em relação ao seu prejuízo. “Não quero ter luxo, preciso apenas de um carro, mesmo que velho, para trabalhar”, disse.
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