Morreu José Espelho, o Chuca, ex-funcionário da Samello


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José Luiz Espelho, Chuca, foi sepultado no Cemitério Santo Agostinho
José Luiz Espelho, Chuca, foi sepultado no Cemitério Santo Agostinho
Morreu aos 72 anos, às 11h15 do dia 24, no Hospital São Joaquim/Unimed, o torneiro mecânico e mecânico de máquinas José Luiz Espelho, conhecido por Chuca. Era portador de enfisema e problemas cardíacos. Nos últimos anos, fase final de tratamento da doença, perdeu grande parte de sua qualidade de vida por estar ligado a respiradouro artificial. 
 
Na quinta-feira, dia de sua morte, enfrentando grave crise respiratória, foi de ambulância ao Hospital do Coração. Antes do atendimento, confessou à filha Luciana, que o acompanhava, que estava muito cansado, que não suportava mais viver sem respirar adequadamente. ‘Foi triste ouvir meu pai, mas parece que Deus o ouviu, e o livrou de seu sofrimento”, disse ela. Voltando à casa, Espelho teve uma parada cardiorrespiratória, foi imediatamente transferido ao Hospital São Joaquim/Unimed e reanimado. Permaneceu em observação. Outra parada, e ele não resistiu.
 
Era natural de Restinga. Estudante do CEDE, conheceu e se apaixonou por sua professora de História, Nelma Nice Faleiros Espelho. Correspondido, casaram-se. Viveram juntos por 47 anos até sua morte. Do enlace, dois filhos, Marcelo, técnico de informática; e Luciana, professora de Língua Portuguesa que deixou de lecionar para participar dos cuidados ao pai nos últimos anos. José Luiz e Nelma têm, também, três netos (Marcelo Júnior, Marcela, Sophie) e um bisneto, José Luís.
 
Era filho de Gonçalo Espelho e Clarice Diniz Espelho, irmão de Antônio, Roberto, Rubens, Gonçalo Filho, Zulmira, Carlinda, Maria Luiza, conhecida família ligada a atividades na indústria de calçados e ao comércio na cidade de Franca.
 
Chuca ainda muito jovem foi bancário em São Paulo. Em Franca, teve oficina mecânica de automóveis na rua Diogo Feijó, Estação, e fez boa clientela por seus conhecimentos e zelo no que fazia. Atraído pelo que alguns de seus irmãos diziam sobre trabalhar para a Samello, pleiteou e conseguiu emprego na empresa, como mecânico de manutenção de equipamentos. 
 
Ganhou, na empresa, o respeito de seus diretores, a ponto de merecer deles, convites para convivência familiar. “Papai tinha muitas ideias boas. A Samello, reconhecendo isso, lhe proporcionou tornar-se torneiro-mecânico em curso na capital. Nas horas vagas, prestou vários serviços à família. De um, se orgulhava especialmente. Foi quando viu foto e informações sobre uma ‘cama para bovinos’, trazida do Texas (EUA) pelos Mello, e que permitia ao gado leiteiro se acomodar durante a noite para melhorar, pelo repouso adequado do bovino, a quantidade de leite produzida. Papai aceitou o desafio e produziu várias dessas camas para a propriedade rural da família’, disse Luciana.
 
Também se sentia bem, à cada Natal - e foram dez anos - quando, vestido de Papai Noel, entregava presentes que a Samello adquiria para os filhos de funcionários. “Papai era um homem família. Sempre afirmou que a família tem que estar junta, unida, não importasse se o momento fosse de alegria ou tristeza. Na ocasião dos Natais da Samello, vestia-se de um papai noel capaz de fazer a todos felizes, sorridentes, muito alegres e isso o fazia também, muito feliz”, disse a filha.
 
“Era assim nossa vida caseira com ele. Exceção nos últimos anos, quando se tornou completamente dependente do oxigênio que era obrigado a manter junto de si, sempre o tivemos para nós. Em várias ocasiões, no rancho de Itambé que meu avô fez com que a família toda comprasse para se manter unida, papai se esmerava em seus cuidados com a família. Era acordar e saber o café da manhã já pronto por ele, para todos nós. Jamais será da mesma forma. Não há como suprir a falta dele em nossas vidas”, concluiu Luciana.
 
No velório de Espelho, realizado no São Vicente de Paulo, ao lado de sua mulher, e filhos, também esteve sua mãe, dona Clarice, lúcida e firme, ajudando a receber a tantos quantos nutriram por ele, apreço e amizade. O sepultamento aconteceu no Cemitério Santo Agostinho, dia 25, com serviços da Funerária São Francisco.

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