É como preconiza o velho ditado: “Antes tarde do que nunca”. Depois de um mês de protestos de populares, pressões de políticos, pedidos de audiência de aliados, Geraldo Alckmin decidiu quebrar o silêncio e vai tratar do assunto “pedágio”. O governador recebe nesta sexta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, uma comitiva composta por prefeitos das cidades que integram o Comam (Consórcio dos Municípios da Alta Mogiana). Coincidência ou não, está marcado para sábado novo protesto nas estradas da região, ocasião em que participantes promoverão o enterro simbólico do governador.
A intenção do Estado de construir três pedágios nas rodovias Cândido Portinari, Ronan Rocha e Altino Arantes veio a público há cerca de dois meses. Desde o início, a ideia desagradou em cheio muitos moradores da região que deram início a manifestações contrárias à instalação de novas praças de pedágio. Nem o fato de ter na região, especialmente em Franca, um “tradicional berço tucano” livrou Alckmin de duras críticas, inclusive de aliados políticos históricos, como o deputado estadual Roberto Engler. Mas, semana após semana, o governador silenciou. Hoje, a partir das 10 horas, ele terá com os prefeitos das cidades envolvidas a primeira conversa “cara a cara”. Não deve ser das mais fáceis. Afinal, por melhor que o cenário seja pintado, pedágio é sempre pedágio e quase nunca é bem vindo por quem vai ter que pagar. Principalmente nesse caso em que o governador nunca deixou claro que eles existiriam, assim como nunca desmentiu correligionários que garantiram fortemente que não haveria a tal cobrança.
Como deixou a água esquentar demais, Alckmin terá que lidar com a fervura. Se há algumas semanas ele poderia vir a público e explicar que mudou de ideia ao decidir instalar pedágios na região porque esta é uma alternativa para obter recursos para modernizar a malha viária, hoje isso não basta. A expectativa de 100% dos prefeitos que participam da reunião nesta sexta-feira - e que representam uma população de mais de 600 mil pessoas - é a de que Geraldo Alckmin recue. Que decida mudar o endereço dos famigerados pedágios.
A expectativa dos prefeitos ganhou contornos ainda mais definidos na noite de ontem, depois que a 1ª vice-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Maria Lúcia Amary (PSDB), publicou, nas redes sociais, que o governador Geraldo Alckmin, atendendo a um pedido seu, cancelou os pedágios na região de Sorocaba, que ela representa. O pensamento lógico é que o governador não fará diferença em relação a Franca e região. É esperar para ver.
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