O ex-diretor-administrativo do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” Ricardo Veríssimo depôs nessa quinta-feira na CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara para apurar a ação de uma quadrilha de falsos médicos e os contratos assinados pela Prefeitura de Franca com o ICV (Instituto Ciências da Vida), empresa responsável pela contratação dos falsários. Ele confirmou as declarações que já havia dado ao Ministério Público do Estado.
Para os vereadores Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB), o ex-diretor disse que flagrou o médico Lavoisier Tavares de Andrade falsificando fichas de atendimento. “Ele usava o carimbo e falsificava a assinatura de outros médicos. Percebemos, porque esses profissionais sequer estavam no PS. Não teriam como atender aqueles pacientes.”
Para comprovar a falsificação, Veríssimo reuniu cerca de 30 a 40 fichas de atendimento preenchidas por Lavoisier e as levou para a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini. “Eu as entreguei pessoalmente nas mãos da secretária. Expliquei para ela o que o médico estava fazendo, que ele estava usando os carimbos de outros profissionais e falsificando as assinaturas. Isso foi em meados de julho de 2014.”
Ainda de acordo com Veríssimo, como a falsificação de Lavoisier tinha sido flagrada, ele resolveu fazer uma varredura nas fichas preenchidas no horário de trabalho do médico. “Encontramos mais dezenas de fichas falsificadas e, desta vez, foi a minha secretária à época que levou os documentos para a Secretaria.”
Veríssimo contou que, dois ou três dias depois da entrega das fichas, acabou sendo transferido para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento. Segundo ele, nenhuma providência efetiva teria sido adotada pela Prefeitura para apurar as denúncias ou mesmo afastar o médico do atendimento.
Sobre a fiscalização a respeito dos profissionais contratados pelo ICV, Veríssimo disse que até tentava ter acesso a algum documento relacionado à empresa, mas não conseguia. “Nem as escalas médicas, eles me passavam. Eles diziam que não eram subordinados e que não iriam se submeter a mim.”
Ele contou que chegou a desconfiar dos médicos do Instituto. “Eles chegavam para trabalhar usando calça jeans e camiseta. Traziam as coisas em sacolas de supermercado. Achei muito estranho.” Veríssimo contou que os profissionais só conversavam entre si e pareciam vir de todas as partes do Brasil. “Eu estranhei. Comecei a pedir os documentos para eles, que nunca entregaram.”
Ele disse que comunicou todos os problemas à secretária de Saúde. Mas nada foi feito.
Para a próxima semana, os vereadores devem convocar a coordenadora de Urgência e Emergência da Prefeitura, Rosimeire Vilela.
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