Após passar por momentos de dor e revolta com a perda de uma pessoa querida, a corretora de imóveis Angela Maria Machado Rosa Farias, de 50 anos, pretende buscar justiça no caso da morte de seu marido Joaquim Pedro Farias, de 52 anos. O homem, que também era corretor, morreu no dia 22 de janeiro deste ano, com suspeita de zika, o que foi descartado, de acordo com a secretária de Saúde, Rosane Moscardini. Segundo Angela Farias, o homem passou três vezes pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, sem receber o diagnóstico certo ou ter um atendimento correto.
“Se não fosse o descaso do atendimento, ele não teria morrido”, disse a corretora. Segundo ela, três médicos teriam afirmado que seu marido não tinha nada de grave. Ele recebeu alta e orientação de repouso. “Perguntaram se ele tinha ingerido bebida alcoólica, porque ele não estava conseguindo parar em pé”, disse. A fraqueza nas pernas e a paralisia muscular são sintomas da síndrome de Guillain-Barré, que é uma doença neurológica associada ao vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.
Ela conta que em dezembro do ano passado ele perdeu a força para andar e caiu no chão, tendo que ser socorrido em sua casa pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Durante o tempo que ficou doente, ele permaneceu totalmente lúcido e conversava. Joaquim sabia o que estava sentindo e queria conversar com os médicos, que não lhe davam a atenção necessária, segundo a viúva.
Apesar da piora no quadro do marido, que ficou sem conseguir mexer do pescoço para baixo, o pronto-socorro não encaminhou o paciente para internação na Santa Casa. “Tive que pagar para ele ser atendido no hospital São Joaquim e, só de lá, ele foi para Santa Casa. No São Joaquim, ele recebeu o diagnóstico da síndrome. Disseram que o remédio que ele precisava só conseguia na rede pública, mas que ele tinha todas as chances de sobreviver.”
Na Santa Casa, ele ficou no CTI (Centro de Terapia Intensiva), onde passou por uma traqueostomia e ficou quase um mês internado. Após esse procedimento, ele contraiu uma infecção pulmonar, que foi uma das causas de sua morte. “Eu estou revoltada, porque ele era uma pessoa forte que não tinha nenhum problema crônico e morreu por puro descaso.”
A mulher ainda não tomou iniciativas jurídicas, mas pretende denunciar o caso. “Ainda não contratei advogado, mas pretendo entrar na Justiça para contestar o tratamento que o meu marido recebeu”, disse.
A causa da morte saiu nessa quarta-feira e foi comunicada pela secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, em entrevista ao Comércio. O óbito foi definido como síndrome de Guillain-Barré associada a uma pneumonia, que resultou em uma septicemia (infecção generalizada). O corretor foi a primeira pessoa suspeita de ter contraído o zika vírus em Franca.
A reportagem entrou em contato com Secretaria Municipal de Saúde e com a assessoria de imprensa da Prefeitura para esclarecer sobre o tratamento recebido pelo paciente e a demora para a internação, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
Lembranças
Angela trabalhava em parceria com seu marido e tenta superar a tristeza da perda. “Não tínhamos filhos, era só eu e ele. O escritório dele era aqui em casa, então o ambiente ficou muito triste, já até pensei em me mudar da cidade”, contou.
Em meio ao sofrimento, ela tenta se recordar dos momentos felizes e do que seu marido gostava de fazer. Ele era um amante dos animais. “Tenho sete cachorros em casa, o Joaquim sempre gostou de adotar e cuidar de animais, ele sempre ia atrás de comida e tratamento médico para cachorros de rua”, disse.
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