Morreu Adélia Vieira, exemplo continuado de fé, união e superação


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Adélia Vieira será sepultada hoje, 10 horas, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras
Adélia Vieira será sepultada hoje, 10 horas, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras
Morreu às 8 horas de ontem, dia 25, no Hospital São Joaquim/Unimed, de Franca, a senhora Adélia Vieira, aos 83 anos. Há um ano, vinha em tratamento de câncer de pele. O recrudescimento da doença a conduziu a duro tratamento no Hospital do Câncer de Barretos. Semana passada, quinta-feira, em casa, foi acometida por AVC atestado como gravíssimo. Imediatamente transferida ao Hospital São Joaquim, enfrentou seus últimos dias com imensa coragem cercada do marido, filhos e netos. 
 
Deixou, viúvo, depois de 52 anos de casamento, o senhor Versolino Antunes Vieira. Do enlace, seis filhos (Darci Ronaldo, diretor da Servtec, casado com Roberta Cristina; Serli casada com Elpídio Terra, o conhecido Martins; Elenice, casada com José Carlos Salvino; Rosa, casada com Reginaldo Messias; Geralda, casada com Carlos Henrique; Maria Aparecida, casada com Marcelo Kaiser), e oito netos, Melissa Geanna, Alysson Matheus, Thiago, Mariana Messias, Gabriel, Sofia, Taísa e Heitor.
 
Adélia e Versolino, lavradores, nasceram em São Gotardo (MG). Casaram-se e, em busca de oportunidades de melhoria de vida, aceitaram convite de um parente para mudarem-se a Jaraguá, ao norte de Goiânia (GO). Lá, participaram com força e coragem do desbravamento de pedaço de terra, plantando arroz e milho, e a sorte parecia que iria lhes sorrir tais as safras que colhiam.
 
Os problemas estavam no lugar inóspito. ‘Na região não havia estradas, e escoar a produção era muito difícil. Safras inteiras se perdiam. O que parecia ótimo, era só decepção. Acredito que todos nós só sobrevivemos por sorte. Não havia recursos para nada. Se fossemos picados por cobra, morreríamos. Minha mãe, muito branca, exposta ao sol forte daquela região do centro do Brasil, começou a desenvolver ali a doença que a faria sofrer muito no final de sua vida’, disse o filho Darci Ronaldo.
 
Não havia porque ficar por lá. Versolino decidiu-se por outra mudança, desta vez, Goiânia. ‘Lavradores, pobres, fomos morar todos juntos num barraco de favela que papai conseguiu, à custa de todas as suas economias, comprar. Em idade escolar, eu e meus irmãos éramos chamados de maloqueiros pelas crianças que conviviam com a gente. Mamãe, religiosa, dizia que tínhamos que aturar e perdoar’, disse Darci. 
 
Num certo dia, um morador de Franca apareceu em Goiânia, em busca de ‘tia Adélia’. Chegou até o barraco depois de seguir informações que colheu pacientemente. ‘’Foi muito objetivo quando encontrou mamãe: ‘isso aqui não é digno de vocês. Vão todos comigo para Franca’. Conheci, ali, aquele que se tornaria nosso anjo da guarda, amigo para todo o sempre, José Gaspar Xavier, funcionário da Prefeitura de Franca’, recorda-se Darci.
 
‘Ele tinha se casado recentemente com Ilda, e ela também se tornou determinante em nossa vida. Dividiram com a gente a casa que tinham terminado de construir. Colocaram um guarda-roupa para dividir um cômodo, e lá nos deram guarida sem nunca esperar nada em troca. Choro toda vez que me lembro disso. É impossível falar da importância de José Gaspar em nossa vida. Se não fosse ele, não sei o que teria sido de nossa família’, emociona-se.
 
‘Fui, aos 16 anos, trabalhar em Calçados Agabê. Franca vivia grande momento de sua história calçadista. À medida em que minhas irmãs foram crescendo, também se empregaram em fábricas. Mais alguns anos e já tínhamos lugares nossos, onde morar. Papai e mamãe, sempre juntos, continuavam a nos dar força, conselhos, presença, falando da união indispensável que nos levaria para onde quiséssemos ir’, disse Darci.
 
A família, agradecida também ao cuidado e competência demonstrada pelo Hospital do Câncer de Barretos, falou da proximidade que pode ter com com o fundador do hospital, Henrique Prata. ‘Aquilo tudo lá é uma obra divina e Henrique é outro anjo. Não há como agradecer por tudo que ele e seus profissionais fizeram por mamãe’, disse Darci. 
 
‘A força de mamãe, seu cuidado e determinação fizeram com que jamais nos afastássemos uns dos outros. Ela, apesar de sua simplicidade, sabia — e as mães sabem sempre — que haveria futuro digno para nós. Sua falta será dolorosa mas agradecemos também a Deus, que a veio buscar dando fim ao sofrimento que a doença lhe impingiu’, concluiu o filho.
 
O velório de Adélia ocorre no São Vicente de Paulo, sala 1. O sepultamento está agendado para 10 horas de hoje, no Cemitério Parque Jardim das Oliveira, com serviços da Funerária Nova Franca.

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