Era uma simples, anônima e pobre mulher. Totalmente desprovida de quaisquer atributos de beleza e feminilidade. Dura, amarga e solitária, sem sorrisos nos lábios finos, sempre em rictus de asperezas monossilábicas. Seus olhos opacos, às vezes em chispas raivosas, transformavam seu semblante estático, isento de emoções.
Seu caminhar, com o tempo, tornou-se mais lento e muitas vezes podia-se ouvi-la a resmungar entre dentes -se é que os tinha, ninguém nunca viu- palavras ininteligíveis.
Vivia em um casebre abandonado a infeliz criatura abandonada.
Para entender essa dura e fria realidade, precisamos voltar no tempo, muitos anos
atrás e dar-lhe um nome: Maria !
Filha única de pessoas simples, mas trabalhadoras. O pai era pedreiro e
a mãe, costureira. O sonho de ambos era o estudo da filha: queriam que se formasse
professora. Porém, assim que completou seus quinze anos, Maria conheceu e se apai-
xonou por um rapaz -infelizmente para ela, já casado.
Ele, envaidecido pelo assédio da jovem, cedeu às tentações, iludindo-a com falsas pro-
messas de fuga. Combinaram local e hora do encontro para tal. Ela compareceu
à hora e local marcados, ele não! Esperando inutilmente, a noite caiu sobre ela e sua
maleta - que recebeu uma torrente de lágrimas, as únicas de sua vida.
Voltou sobre seus passos à casa paterna e nunca mais conversou com ninguém, não
mais voltou à escola e somente se postava à janela de seu quarto, oculta pelas cortinas, nas madrugadas. Nem médicos, nem clérigos conseguiram arrancar dela uma só palavra.
Somente em seu leito de morte contou a uma piedosa vizinha que a assistiu, em suas horas finais, sua triste história de um amor natimorto.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.