Atualizada às 15h09
Jesse Marques de Araújo, 30, conhecido como Alemão, acusado de matar o amigo e enterrar o corpo no quintal da casa em que moravam juntos, em 2014, no Jardim Paraty, foi julgado hoje no Fórum de Franca.
Ele foi condenado há 14 anos de reclusão em regime fechado.
Alemão e a vítima, José Rodrigues, 53, o Indião, moravam juntos em uma casa alugada no Jardim Paraty. No dia 8 de agosto, após receber denúncia anônima, a polícia foi até o local e encontrou o corpo enterrado no quintal.
Indião havia sido estrangulado e estava com as mãos amarradas para trás. Apresentava ferimentos no pescoço provocados por faca. Desde o princípio, Alemão era o principal suspeito.
Quatro dias após o encontro do cadáver, o acusado se apresentou na sede da DIG. Disse que só se manifestaria em juízo. Como havia escapado do flagrante e não havia prisão decretada, os policiais tiveram que liberá-lo. Ele foi preso quatro meses depois em um rancho na cidade de Nova Ponte (MG), na região de Uberaba (MG).
Durante depoimento na delegacia, ele confessou o crime com detalhes. Disse que o aluguel da casa estava atrasado e que propôs a Indião ir morar no local caso quitasse a dívida. Em seguida, ele deixaria o imóvel, o que não aconteceu.
Alemão contou aos policiais que a vítima e ele beberam pinga e cerveja no dia do crime. No início da noite, discutiram. “Ele começou a falar que eu não era homem, que já tinha passado o prazo e que eu não saía da casa. Falei para ele lavar a boca para falar estas coisas. Ele pegou o machado e veio para cima de mim”, contou.
“Depois, pegou a faca e falou que eu estava endemoniado. Ele deitou no chão para tirar o demônio de mim. Na hora que ele marcou, derrubei ele. Dei uns boxes nele. Fui na cozinha, peguei a faca e dei duas facadas na nuca dele”, disse o acusado.
Alemão amarrou a vítima com cadarço de um tênis na cama e saiu. “Peguei a bicicleta e fui chamar alguém. Encontrei uns malucos lá na rua e eles ‘falou’: não chama a polícia, não, que eles vão te prender (sic). Voltei e fiquei pensando no que fazer”.
O acusado fechou a porta do quarto e foi dormir na sala. “No outro dia cedo, ele estava morto. Enrolei ele na capa do colchão, abri o buraco e enterrei”.
Para o delegado Márcio Murari, Alemão é frio e não demonstra arrependimento. “A confissão detalhada mostra o grau de crueldade dele”.
Quando adolescente, o acusado cumpriu medida sócioeducativa na antiga Febem, hoje Fundação Casa, acusado de matar para roubar o professor universitário Nelson Damasceno, em setembro de 2002.
Ele tem passagens anteriores por furto e roubo e chegou a ser investigado por suspeita de tráfico internacional de drogas após fazer viagens a Europa.
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