A discussão vem desde a Idade Média, quando não existia o princípio da meritocracia: só nobres e bem postos na vida conseguiam colocações que eram negadas à ralé, aos filhos bastardos (que eram muitos). Até postos como camareiros, padeiros ou açougueiros eram destinados a quem tinha “berço”. Mais para a frente, já entre os séculos XVII e XIV, com a mudança dos costumes, a aristocracia e os intelectuais fizeram uma verdadeira campanha contra a promoção por mérito, considerando um “direito” dos bem nascidos os melhores cargos. A partir do século XX, passou-se a ver com outros olhos a contratação de técnicos para postos que exigiam algum conhecimento específico. A iniciativa privada começou a apostar neste tipo de funcionário, o que ainda não ocorre no serviço público, onde os cargos nos principais escalões tornaram-se moeda de troca entre administradores eleitos e aliados. No Brasil nenhum governo se sustenta sem esta barganha que leva a ações espúrias e relações criminosas entre os agentes públicos, empreiteiras e doleiros.
Não há ministro, com raríssimas exceções, que tenha conseguido o seu cargo por causa do notório saber. O mesmo ocorre com secretários estaduais e municipais, chegando até as cortes superiores de justiça, como o STF (Supremo Tribunal Federal), onde há até dois ministros (Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli) indicados por causa de suas ligações com o Partido dos Trabalhadores -- ambos já fizeram serviços para o PT como advogados. Empresas estatais, ministérios e secretarias, além de autarquias, estão abarrotados daqueles que possuem o QI (Quem Indica) e que, como se pode constatar pelas revelações da Operação Lava Jato, transformaram a Petrobras (e outras instituições) num verdadeiro sorvedouro de dinheiro para irrigar contas no Exterior, o bolso de políticos e cofres de legendas partidárias.
Caso a meritocracia passe a ser aplicada também na administração pública, é possível que o número de servidores seja drasticamente reduzido, causando um impacto tremendo no custeio e permitindo uma melhora em todo o trabalho, uma vez que teríamos cuidando dos diversos setores do serviço público indivíduos capazes de resolver os problemas que hoje afetam a maioria dos brasileiros. Hoje, são os indivíduos de esquerda que atacam a meritocracia, defendendo ainda o inchaço da máquina, com estatizações que permitam acomodar todos os seus seguidores. O Estado brasileiro precisa ficar mais enxuto para que não se exija mais da população que trabalha e produz para reduzir o déficit causado por uma gastança sem freio e uma corrupção endêmica.
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