Chutou o pau da barraca


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Esqueça os tapinhas nas costas e as fotos abraçados sorridentes. Se havia algum resquício de relação entre os tucanos Roberto Engler e Geraldo Alckmin, agora, não há mais. A polêmica sobre a implantação de duas novas praças de pedágio nas pistas que cortam Franca cruzou as fronteiras da região e monopolizou os debates na Assembleia Legislativa ontem. O deputado estadual fez um discurso contundente e bateu pesado no governador e na base aliada. Quase enfartou na tribuna. Ganhou o apoio de deputados da oposição. 
 
Engler falou por 20 minutos e detalhou aos deputados o novo plano de concessão lançado pelo Estado. “O governador está dando um presente de grego para a nossa região. Quer instalar pedágios sem nenhum investimento. São apenas praças arrecadatórias de recursos. Quem é capaz de aceitar isso?”
 
O deputado disse que a população está revoltada e lembrou que protestos já provocaram o bloqueio de rodovias por quatro vezes. “Neste sábado, será feito o enterro simbólico do governador Geraldo Alckmin. A região de Franca está em ebulição. É o ‘panelaço da Mogiana’ para que as autoridades ouçam o clamor da população”, disse, fazendo alusão aos manifestos ocorridos, terça-feira à noite, em pelo 14 capitais do país, durante o programa do PT na televisão e no rádio.
 
Engler lembrou dos sete mandados consecutivos, dos 25 anos como deputado, dos 122 mil votos obtidos na última eleição, de ter sido líder do PSDB por duas vezes e de ter relatado o orçamento por dez anos. “Mesmo assim, não consigo falar com o governador. É um silêncio total. Virar as costas para mim não tem importância. Mas virar as costas para uma região toda, com mais de 700 mil pessoas, isso não é forma de governar um Estado.”
 
Em seguida, o deputado chutou de vez o pau da barraca. “Mário Covas sempre dizia: ‘Ao atender uma pessoa, não estou atendendo a pessoa, mas estou atendendo todo mundo que está atrás dessa pessoa, a quem ela representa’. O governador Geraldo Alckmin tinha que aprender essa lição.”
 
Por fim, ironizou nota distribuída pelo presidente da Artesp, Giovanni Pengue Filho, que defendeu os pedágios por, entre outras coisas, melhorar a ligação de Franca com o Paraná. “Ele acha que somos poucos inteligentes ou está gozando na gente.” Impossível que o recado não tenha chegado até Alckmin.
 
Merenda: O secretário de Transportes, Duarte Nogueira, me mandou “zap” terça-feira. Imaginei que era alguma novidade sobre os pedágios. Que nada. Era apenas para dizer que um investigado na “máfia da merenda” declarou que ele não está envolvido no esquema. 
 
Chance zero: Marco Aurélio Ubiali deixou seu gabinete no Palácio dos Bandeirantes e veio a Franca, ontem, participar da eleição da diretoria da Unimed. Antes de pegar o voo de volta, falou com a coluna e garantiu que o PSB terá candidato próprio para prefeito. O nome ainda não foi definido. O partido sonha com Graciela Ambrósio ou Sidnei Rocha. Ubiali seria o plano C. Perguntei qual é a chance de o PSB apoiar Alexandre Ferreira. “Nenhuma, zero.”
 
Prioridade: Adérmis Marini (PSDB) fez indicação ao prefeito pedindo que seja feita limpeza do entorno do CDP (Centro de Detenção Provisória), pelo fato de a área apresentar mato alto e entulho. O zeloso vereador também espera que o acesso ao presídio seja recapeado para evitar acidentes. “Solicito, se possível, que as melhorias sejam realizadas até o dia 10 de março.”
 
Marcha fúnebre: Dono de conhecida funerária de Franca doou o caixão que será usado, sábado, no enterro simbólico do governador.
 
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
 

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