A morte da aposentada Angela Aparecida de Oliveira, de 82 anos, moradora do Jardim Martins, está sendo investigada pela Polícia Civil. A suspeita é de que tenha sido vítima de negligência e erro médico. Ela seria a quarta vítima, em Franca, a morrer após passar por um dos nove falsos médicos identificados até agora, que atuaram no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”.
Segundo o delegado João Walter Tostes Garcia, do 2º Distrito Policial e responsável pela condução das investigações, a idosa teria morrido na Santa Casa de Franca depois de passar quase duas semanas indo e vindo do PS, onde teria sido atendida pelo falso médico Pablo Mussolin do Nascimento, que à época dos fatos usava o nome de Pablo Thomaz Galvão. Ele chegou a ser preso pela polícia de Mairinque, onde também teria atuado como médico mesmo sem ter formação. Mas acabou conseguindo a liberdade provisória.
Segundo o boletim de ocorrência registrado por familiares, a idosa teria sofrido uma queda em casa no dia 6 de agosto de 2014 e, com dores, foi levada ao Pronto-socorro. Lá, teria passado por uma médica, que a encaminhou para o raio-x. Como o aparelho da unidade estava quebrado, a idosa precisou se deslocar até o Pronto-socorro Infantil, mas também não teria conseguido realizar o exame.
Ela foi, então, medicada e liberada. Ainda sentindo fortes dores, ela teria retornado ao PS. Desta vez, teria sido atendida por Pablo Mussolin. Ele não teria percebido que a idosa estava com uma fratura de fêmur (osso da coxa). Teria receitado alguns medicamentos e de novo a liberado. “A família conta que foram 15 dias de seguidos atendimentos até que, finalmente, identificaram a fratura e encaminharam a idosa para a Santa Casa”, disse o delegado João Tostes.
Angela teria sido encaminhada para o hospital no dia 22 de agosto já debilitada. Lá, ao ser internada, teria sido operada para corrigir a fratura. Mas não resistiu e morreu dois dias depois. Para a família, Angela foi vítima de negligência e possível erro médico, por conta da demora em sua internação na Santa Casa.
Um inquérito foi aberto para apurar as circunstâncias da morte da aposentada. “Ainda não concluímos as investigações. Já ouvimos os familiares da vítima e obtivemos os documentos relacionados com seu estado de saúde. Agora precisamos localizar as três pessoas que a atenderam como médicas. Pablo Mussolin é um deles”, disse o delegado.
Por envolver a ação de um dos falsos médicos, o caso também deve ser encaminhado à CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga a atuação dos falsários dentro do PS.
Segundo o delegado, não há prazo para a conclusão do inquérito.
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