Jovem quebra a coluna com abdominal, fica paraplégica e volta andar


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Maria Eugênia Bispo
Maria Eugênia Bispo

A história de uma recifense que recuperou o movimento das pernas após ser desenganada pelos médicos, impressiona.

Em 2013, Maria Eugênia Bispo, então com 27 anos, estava viciada em academias. "Emendava um treino no outro, de domingo a domingo. Fiquei viciada em exercícios bem rápido e sem perceber".

A professora de inglês e jornalista conta que em um certo dia, apesar de cansada, decidiu treinar. "Não tinha dormido bem e, para compensar o treino fraco, decidi testar um abdominal que tinha visto nas redes sociais.[...] Pedi para um amigo filmar o exercício, queria postar também. O que aconteceu depois está no vídeo que correu a cidade", declarou Maria Eugênia.

A jovem caiu da barra na qual estava suspensa fazendo o exercício e quebrou 2 vértebras na região lombar. Após ser examinada por um médico, a jornalista ouviu a sentença: "Você não vai voltar a andar".

Maria Eugênia ainda precisou fazer uma cirurgia para colocar duas hastes de titânio e 12 parafusos para sustentar a coluna. A alta médica foi adiada quando Gena, como a jovem é conhecida, teve uma infecção.

Neste momento, a vida da jornalista ficou em risco. Quando finalmente conseguiu deixar o hospital, Gena estava presa a uma cadeira de rodas. "Na hora em que me vi [no espelho] abatida, depois de uma noite toda em claro, o cabelo sujo e ainda usando fralda, caí no choro. ‘Agora sou um fardo para a minha família. Era melhor não ter sobrevivido'", afirmou a jornalista.

A visita de um amigo que era fisioterapeuta mudou o pensamento de Gena. Ele pediu que ela mentalizasse o movimento das pernas. "Passei a mentalizá-las o tempo todo. Tentava mexer e não conseguia. Até que, de madrugada, eu senti uma coisa diferente. Parecia que a pele estava esticando. Comecei a tremer. O coração acelerou. Acordei minha mãe e ela viu meu dedo se movendo. Pegou o celular para filmar e acordou todo mundo. Foi uma choradeira geral, o momento mais incrível da minha vida", relatou a jornalista ao site da revista Marie Claire.

Em pouco menos de 2 meses, Gena conseguiu dar os primeiros passos. Cerca de 6 meses se passaram e ela abandonou a cadeira de rodas de vez. "Hoje, ando mais devagar do que antes e puxo um pouco a perna esquerda. Saio sempre com uma bengala para me apoiar e, volta e meia, ouço alguma coisa do tipo: ‘Tão bonita e aleijada’". 

"Atualmente, faço terapia para entender tantas mudanças. Amadureci 20 anos em dois, meus valores, minha vaidade, tudo mudou. Quando olho no espelho, sei que não há ninguém como eu. Antes do acidente, podia ser a mais gata da festa e não me sentia bem. Ainda estou em recuperação, mas já dou aulas particulares de inglês e, há quatro meses, comecei a praticar remo paraolímpico para competir. Meu corpo é muito melhor do que o de antes, nunca tive a barriga definida de agora. Aprendi que é a cabeça que limita a gente. Somos capazes de tudo, tudo. É só decidir e lutar", conclui a jornalista.

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