O presidente Fernando Lugo foi deposto no Paraguai. Cristina Kirchner perdeu as eleições na Argentina; Nicolás Maduro foi derrotado nas eleições parlamentares e ficou sem maioria no congresso venezuelano, Rafael Correa vive aos trancos no Equador, Jose Mujica terminou seu mandato no Uruguai e Evo Morales enfrenta rejeição à sua continuidade no poder. O bolivarianismo, em suas diferentes variações, perde a força, num momento em que seus aliados brasileiros também enfrentam processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e em acusações que vinculam Lula a propinas e favorecimentos apurados pela Operação Lava Jato.
Conduz ao raciocínio de que o populismo por aqui implantado nos anos 80 está esgotado. Medidas que sustentaram e elegeram governos, mostram-se ineficientes e carentes de modificações. Temos hoje, no Brasil, governo e parlamento desacreditados tentando se safar de problemas criados por seus próprios membros e políticas equivocadas.
Nesse quadro de interesses diversos, a máquina pública está cada dia mais desordenada e inconsistente. O país em desequilíbrio padece com a recessão e consequentes desaquecimento da produção, desemprego e a fome. Indiferentes a tudo, políticos discutem (agora juridicamente) o afastamento do governo, o envolvimentos de partidos e outras inconformidades.
Nesse momento difícil é preciso esquecer utopias e partir para ação concreta de governar e gerir com simplicidade e objetividade, esquecer favorecimentos indevidos e fórmulas mirabolantes de progresso sem produção. Os utópicos das últimas décadas — muitos deles hoje no poder — devem lembrar que até seu líder, Fidel Castro, já abandonou os próprios sonhos e deverá receber, no próximos dias, a visita do presidente dos EUA, inimaginável décadas atrás.
Há que se reconhecer a supremacia do tempo, verdadeiro senhor da razão. Com ele os modelos se esgotam. A história testemunha...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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