Há um momento na vida em que as explicações tornam ainda mais indefensáveis ações consideradas ilegais ou imorais. É a mesma história do paquiderme se debatendo na lama: quanto mais se esforça e se mexe, mais lambuzado fica. É praticamente o que acontece hoje com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, envolvido até o pescoço numa relação nada salutar com empreteiras investigadas na Operação Lava Jato, além da suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Tudo o que Lula é hoje passa longe daquela imagem cultivada por ele próprio e seus asseclas de “homem do povo”. Pelo estilo de vida que leva, recebendo milhões de reais por “palestras”, tendo filhos “gênios das finanças” que registram um aumento impressionante de patrimônio e jatinhos à disposição para viajar por todo o mundo, ele ascendeu a uma classe média alta enquanto milhões de brasileiros voltam aos patamares de vinte anos atrás.
No mesmo dia em que foi preso pela Polícia Federal o marqueteiro João Santana, o gênio por trás das duas eleições de Dilma e uma de Lula à presidência da República, o Partido dos Trabalhadores divulgou, à guisa de propaganda eleitoral gratuita, uma peça onde tenta defender, sem qualquer êxito, o seu presidente de honra e sua sucessora. Nela, o PT defende a união do País contra a crise e passa ao largo do que mais aflige o brasileiro: a crise causada por uma condução temerária da economia nos últimos anos, que levou a um desemprego crescente, atingindo recordes históricos, e a volta da inflação que hoje ultrapassa os 10% ao ano, contra uma expectativa de 6,5%. Não é o revanchismo político e a tentativa de golpe que levam a maioria da população brasileira a defender o impeachment de Dilma Rousseff (PT). É a falta de competência para a retomada do crescimento sem o sacrifício da população.
Ao fechar a propaganda, Lula retoma o velho discurso que o PT repete de forma sistemática diante de qualquer denúncia. A tática do ‘nós contra eles’ já não funciona mais, inclusive por causa da farta documentação de que ele e sua família mantinham negócios estreitos com empreiteiras cujos dirigentes estão presos por causa de desvios e pagamento de propinas. Lula ainda tenta “vender” a imagem de pobre perseguido pelas “zelites”, quando se sabe que ele, alguns familiares e amigos próximos se beneficiaram do esquema criminoso que funcionou na Petrobras nos últimos dez anos, pelo menos. Até agora, nem o PT nem seu principal nome vieram a público explicar convincentemente esta relação espúria que fez a Petrobras perder dois terços de seu valor de mercado. Enquanto isso não for feito, a lama continuará cobrindo o corpo do paquiderme que se debate para sair do poço.
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