Uma denúncia anônima levou fiscais da Vigilância Sanitária de Franca a um casebre, no Condomínio Vale dos Esquilos. No local, que não possui alvará de funcionamento, a equipe encontrou aproximadamente 2 toneladas de bacon, papada e carne suína defumada, armazenadas em condições totalmente irregulares. Mosquitos, varejeiras e gatos dividiam o espaço com os alimentos que, de acordo com o chefe da operação, o fiscal sanitário André Zabo, seriam distribuídos em uma famosa rede de lanchonetes oriunda na cidade.
Durante a operação, realizada na manhã de ontem, foram apreendidos mais de 30 sacos com carnes. Nas embalagens, havia a informação de que os produtos seriam destinados ao mercado institucional, o que levantou a suspeita de que as carnes poderiam ter sido desviadas da merenda escolar ou alguma instituição pública. Além disso, ainda existe a suspeita de sonegação de impostos.
“Chegamos ao local através de uma denúncia anônima. No endereço indicado, encontramos os sacos de carnes jogados no chão, próximo à terra, com mosquitos, insetos e animais. Toda a carga estava armazenada de forma totalmente irregular, em temperatura ambiente e não refrigerada, como é indicado”, disse Zabo.
Ainda de acordo com o fiscal, uma nota de parte da mercadoria foi encontrada junto à carga. No nome da empresa constava o de uma rede de lanchonetes bem conhecida na cidade. Um empregado que estava no casebre acompanhou a apreensão e um dos homens que seria dono da carga, que não teve o seu nome divulgado, também compareceu. Devido às condições encontradas e a falta de alvará, toda a carga foi apreendida e o local interditado.
“Inicialmente já interditamos a carga, que será encaminhada e descartada no aterro sanitário, assim como o endereço onde ela estava. Um processo administrativo sobre o caso deve ser instaurado, para levantar o destino que seria dado aos produtos e se ela foi adquirida de forma regular. São muitos os questionamentos, já que estamos falando de uma carga direcionada para o mercado institucional. Precisamos saber se ela foi desviada ou mesmo se era utilizada essa manobra (de ser direcionada para mercado institucional) para sonegar impostos. Tudo isso deve ser investigado, com o apoio da Polícia Civil e, se necessário, do Ministério Público”, disse o fiscal, na manhã de ontem.
Segundo Zabo, uma multa deve ser imposta aos proprietários da carga. O valor varia de acordo com as condições financeiras dele e o que a investigação constatar sobre o caso.
“Temos o dever de investigar qual seria o destino dessas carnes e se é uma situação rotineira. Nas condições encontradas, todos os produtos estavam inadequados para o consumo e poderiam provocar até mesmo uma intoxicação alimentar”, completou Zabo.
Ainda ontem, um boletim de ocorrência foi registrado no 4º Distrito Policial, para apurar os possíveis crimes contra relação de consumo e contra economia popular. Um inquérito policial foi instaurado e o destino que seria dado à carne será investigado pelo delegado Dalmo Mateus Pólo, assim como os suspeitos de serem os proprietários da carga.
“Foi verificado que a carne estava sendo manipulada inadequadamente e sem observar os requisitos legais. Além do ambiente ser totalmente inadequado para os fins que estava sendo utilizado. Tudo indica, com a nota fiscal encontrada junto com parte da mercadoria, que a carne seria processada para ser entregue em uma rede de lanchonetes da cidade. Por isso, vamos averiguar essa informação”, disse o delegado.
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