Proibida e obscena


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O homem contemporâneo lê mais que no passado, mas essa leitura é massiva, fragmentada e pouco produtiva. Não há muitos bons leitores hoje. 
 
Compreender e interpretar texto e seus sentidos vai além de conhecer palavras. Em cada texto há intenção nem sempre dita expressamente. Muitos dizem mais pelos ‘não dito’ do que pelo ‘dito’. 
 
Sobre este apaixonante assunto, o texto Ler deveria ser proibido, de Guiomar de Grammon, no livro A formação do leitor: pontos de vistas, permite boas reflexões.
 
O estudo da Língua Portuguesa, a cada dia, se torna menos relevante. Temos privilegiado só algumas regras gramaticais e ignoramos quase que por completo a Literatura, rodas de leituras, debates sobre leituras, estudos sobre gêneros, construções e sentidos despertados. 
 
Cabe a educadores, mesmo que desmotivados por condições de trabalho e baixo salário, estimular a leitura de tudo (livros, revistas, jornais, sites, blogs, artigos etc.), para permitir a formação de leitores competentes, capazes de compreender tentativas de manipulações dos que sabem que desincentivando a leitura e o conhecimento que dela deriva, pode-se manter projetos de poder. Povo que não lê é facilmente manipulável.
 
Ler faz bem. Torna criança um adulto bem informado, crítico, que não se conforma com problemas do mundo ou com os de seu mundo interior. Quem lê com competência, torna-se o cidadão livre, capaz de reflexões. 
 
Gosto da leitura. Leio de tudo. Ler é instrumento indispensável à prática do poder individual consciente confrontando com a ideia de poder para poucos. 
 
É por força da leitura e da comunicação que ela gera que revelamos sentimentos, pensamentos (até obscenos e proibidos) e nos tornamos pessoas únicas ao identificar nossa história perante as outras. 
 
Você gosta de ler? Compartilha sua leitura? Fez-se crítico? Estimula a compreensão do poder que disso deriva? 
 
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Unifran/Cruzeiro do Sul

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