As relações de consumo no Brasil continuam muito difíceis. Na maioria das vezes, o consumidor é desrespeitado e só consegue fazer valer os seus direitos através de ações na Justiça, muitas delas se arrastando por anos a fio, mesmo com a existência dos Juizados Especiais de Pequenas Causas e das recentes juntas de conciliação. Mesmo com o advento do CDC (Código de Defesa do Consumidor) e do fortalecimento de instituições como o Procon (órgão de defesa do consumidor), a relação entre consumidor e fornecedor é marcada pela falta de respeito destes para com os primeiros. O número de reclamações listadas pela Internet e suas redes sociais é considerado bastante alto.
Em nosso País, quem paga muitas vezes não recebe o prometido e, mesmo que a lei garanta os direitos do consumidor, não há, ainda hoje, um interesse maior em deixar menos difíceis - e tensas - as relações de consumo. O brasileiro hoje paga um alto valor pelo combustível que aciona o seu veículo, mas vive sujeito a fraudes que podem danificar todo o motor de seu carro, moto ou caminhão. Outro caso que amiúde retorna às páginas de jornais e noticiários de TV ou rádio diz respeito ao fornecimento de energia elétrica. Em Franca crescem assustadoramente as reclamações quanto a quedas da luz, de forma inexplicável. Vários pontos da cidade já foram prejudicados com cortes seguidos, muitos com duração de várias horas, sem que a concessionária, CPFL Paulista, consiga dar uma resposta plausível para o que acontece. O francano só tem um canal de reclamação, que atende em Campinas, o qual funciona apenas como um receptor de chamadas: na maioria das vezes, a empresa não tem ideia do que esteja acontecendo.
O mesmo ocorre quanto aos impostos pagos pelo brasileiro, que servem para financiar uma máquina administrativa inflada, escoam pelos escaninhos da corrupção e não retornam em serviços de qualidade aos que mais necessitam. Neste caso, não há CDC ou ação judicial que deem conta. O consumidor brasileiro ainda continua sendo muito mal servido, não encontra eco em suas demandas e acaba sendo obrigado a se curvar aos desmandos de quem não procura uma forma de causar o menor número de danos aos que deveriam servir com a maior presteza possível. Quem trabalha, paga corretamente seus impostos e luta para manter as suas finanças dentro da normalidade merece um tratamento melhor por parte dos que lucram - e muito - nesta relação de consumo. Em que pesem os avanços do CDC, o consumidor brasileiro continua sendo tratado como um cidadão de quinta classe. Essa situação precisa mudar.
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