Três acusados de matar frentista mudam versão sobre o crime


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Enterro do frentista Márcio Rangel, em 14 de julho de 2015, no Santo Agostinho. Ele morreu horas após levar dois tiros na cabeça
Enterro do frentista Márcio Rangel, em 14 de julho de 2015, no Santo Agostinho. Ele morreu horas após levar dois tiros na cabeça
Os quatro acusados de participar do assassinato do frentista Márcio Rangel, em julho do ano passado, prestaram depoimento à Justiça nessa segunda-feira. Hyago de Paula Rodrigues, Lucas Henrique Cristiano, Reginaldo de Camargos e Thiago Alex Oliveira Silva chegaram ao Fórum algemados e vestidos com o uniforme de presidiários. 
 
Escoltados por quatro policiais militares, os quatro se sentaram lado a lado na sala de audiência, na frente do juiz da 3ª Vara Criminal de Franca, Alexandre Semedo de Oliveira. Não se falaram. Nem esboçaram qualquer reação durante as mais de quatro horas de depoimentos. O mais inquieto e que, algumas vezes, parecia até sorrir era Hyago, acusado de ter atirado contra o frentista durante um roubo na madrugada do dia 13 de julho de 2015. 
 
Na audiência, foram ouvidas 10 testemunhas, entre acusação e defesa. Os quatros réus também foram interrogados pelo juiz. Dos quatro, apenas Hyago de Paula confirmou sua participação no crime. Os outros três, orientados e conduzidos por seus respectivos advogados, negaram que tivessem envolvidos e disseram terem sido ameaçados e agredidos pelo delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Márcio Murari, e pelos investigadores Paulo Rodrigues e Luciano Tavares. Nenhum deles apresentou qualquer prova das alegações. Apenas depoimentos de familiares. 
 
Tiro por ‘acidente’
Hyago foi o primeiro a depor. Disse que atirou em Márcio por “acidente”. “Foi um acidente. Disparou quando ele (Márcio) veio pra cima. Não sei nem onde pegou a bala. Não olhei para a cara dele. Não sei como ele era. Se me mostrar uma foto, não reconheço”, afirmou, sem esboçar qualquer emoção.
 
Hyago disse que só reconheceu Lucas na acareação feita pela polícia, porque teria sido ameaçado. Ele também negou a participação de Thiago e Reginaldo. “Eu estava precisando de dinheiro e tive a ideia sozinho.” 
 
Sobre o comparsa que teria dirigido a moto usada no assalto que resultou na morte do frentista, Hyago decidiu se calar. 
 
Alegações
Em seguida, foi a vez de Lucas depor. Ele é acusado de ser o condutor da moto. Ele foi preso dias depois de Hyago de posse de uma moto muito semelhante à usada no assalto. Ele também negou envolvimento e acusou a polícia de agressão. Segundo ele, seu nome teria sido usado como forma de vingança pelo fato de seu pai ser policial e ter prendido muitos bandidos. 
 
Reginaldo de Camargo, ex-funcionário do posto em que ocorreu o crime e acusado de ter passado a Thiago as informações sobre o funcionamento do local, também negou que tivesse conhecimento do assalto. “Eu não pedi dinheiro. Não teve essa conversa. Não sei como meu nome veio parar no caso. Deve ter sido a polícia.”
 
Thiago Alex foi o último a depor. O depoimento dele à polícia foi fundamental para determinar a participação de cada um dos envolvidos no crime. Mas, para o juiz, ele negou tudo o que havia dito ao delegado. Afirmou que foi ameaçado por Murari e que os investigadores chegaram a colocar uma arma em sua cabeça. Quando confrontado pelo promotor Joaquim Rezende sobre o fato de, no dia do depoimento estar acompanhado de duas advogadas, Thiago gaguejou. Pensou um pouco e disse que as ameaças teriam ocorrido antes das advogadas chegarem.
 
‘Nenhuma agressão’
O delegado Márcio Murari, que conduziu as investigações, e os dois investigadores também prestaram depoimento ontem. Os três negaram qualquer tipo de ameaça ou agressão aos acusados. “Tenho 25 anos de serviços à Polícia. Nunca usei desses meios para prender alguém. Não houve nenhuma agressão”, disse Murari. O investigador Luciano disse que chegou a ligar para o pai de Hyago para que ele fosse visitar o filho na delegacia nos dias de depoimentos. “Se eu tivesse agredido o Hyago, por que eu chamaria o pai dele? Isso não tem lógica.” O pai do Hyago confirmou que esteve na delegacia. 
 
Para o promotor, as afirmações de ameaça e agressão pareciam orquestradas. “Agora, pelo que os senhores estão dizendo, tudo foi armação da polícia. Mas eu pergunto: como a polícia teria tantos detalhes sobre o crime se nenhum de vocês falou nada?”
 
Depois de quatro horas e 14 depoimentos, o juiz encerrou a audiência sem proferir sentença. Ainda devem ser apresentadas provas sobre ligações telefônicas feitas pelos acusados. Só depois haverá um veredicto.
 

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