Morreu Mário Batista, advogado, ex-vereador e ex-Procurador da Prefeitura


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Mário Alves Batista foi sepultado no Cemitério Jardim das Oliveiras, no sábado
Mário Alves Batista foi sepultado no Cemitério Jardim das Oliveiras, no sábado
Morreu no dia 19, no Hospital Regional de Franca, o conhecido advogado, ex-vereador e ex-Procurador da Prefeitura Municipal de Franca, Mário Alves Batista, aos 86 anos. Nos últimos 10 anos de sua vida, enfrentou a irreversibilidade do Mal de Alzheimer e suas complicações mas não se deixou abater. Foi finalmente vencido por insuficiência respiratória aguda causada por broncoaspiração e infecção urinária, como registrou sua certidão de óbito. 
 
Mário nasceu na Fazenda do Fundão, onde seus pais, colonos, trabalharam. Lá, fez o curso primário. Suas primeiras ocupações de trabalho foram na lida dura com a terra. Quando fez 18 anos, veio para Franca e empregou-se em loja comercial como entregador e serviços gerais. Mais alguns anos, decidiu-se por mudar-se para a capital paulista. 
 
Lá, para vencer as dificuldades da cidade grande, trabalhava em três períodos, transportando pessoas em uma Kombi, levando-as ao trabalho de manhã e à noite. No período da tarde, atuava no antigo Iapetec (Instituto de Aposentadoria e Pensões de Empregados em Transportes e Cargas), onde adquiriu experiências que lhe permitiram, em outra fase da vida em Franca, fundar ou apoiar a fundação de vários sindicatos, dentre os quais, o dos Motoristas de Cargas.
 
Casou-se com Nair e, do enlace, nasceu uma filha, Marta, além das duas netas Maíla e Maiara. Depois de anos, Nair e Mário se separaram. 
 
Depois disso, ele lançou-se à incrível sequência de lutas e vitórias. “Não há como levantar neste momento, com exatidão, datas ou períodos em que as atividades de Mário se deram, mas é possível recordar das mil tarefas que ele se empenhou em fazer, e fazer bem feitas”, disse Mirlei, que com ele se casou há 18 anos. 
 
“Ele nunca deixou de estudar. Fez em Franca os cursos ginasial e médio. Foi carreteiro e trabalhou transportando material pesado para a construção da Usina Hidrelétrica de Peixoto. Foi motorista de ônibus da Viação Cometa. Candidatou-se a vereador e foi eleito em época que nem salário se pagava a edis. Na função, até o fim da vida falava nas ações que empreendeu e que resultaram no Sassom, o serviço de assistência e seguro social dos municipiários de Franca. Foi um voluntário da cidadania”, disse Mirlei.
 
Também trabalhou na Prefeitura Municipal como lançador de notas, preparador de carnês de IPTU. Tomou gosto pelo Executivo. Decidiu fazer o ensino médio e foi estudar junto a escolares mais jovens. Prestou vestibular em 1975 e foi aprovado para cursar Direito, na Faculdade Municipal de Direito de Franca. Formado, passou a advogar. Em certa época, abriu uma vaga na Procuradoria Municipal e ele conquistou o lugar. Trabalhou no cargo até a aposentadoria. Em seu escritório, continuou a advo-gar. “Há mais ou menos 10 anos, já com Alzheimer, começou a enfrentar dificuldades próprias da doença”, disse Mirlei.
 
A história de Mirlei e Mário começou em 2003. Ela estava viúva de seu primeiro casamento com Jaime Alves, enlace de 18 anos que lhe deu quatro fi-lhos (Fabiana, casada com o cubano Aramis Herrera; Graciela, divorciada; Lucas, casado com Alessandra; Tiago, casado com Ana Carolina) e seis netos, Maria Eugênia, Sâmella, Maelly, Felipe, Lucas, Isaac. Conheceu Mário, divorciado. Decidiram-se por se casar. Três anos após, ele adoeceu. 
 
Como disse sua mulher, ele não conseguia mais organizar-se com adequação para o exercício da advocacia, e isso o tornou irritadiço, intranquilo. “Houve um dia em que o acompa-nhei escrevendo dezenas de páginas para seus processos, mas não ficava mais satisfeito com nada que fazia. Fui até ele e disse: ‘Meu amor, há tempo certo para tudo, para começar e para parar. Você está aposentado, não tem que provar mais nada para ninguém. Deixe a advocacia. Vamos cuidar um do outro’. Ele me olhou, refletiu e concordou. Transferiu seus processos para Lucas, já advogado, e nós nos mudamos para um pequeno sítio, onde vivemos por cinco anos até a doença o apenar mais fortemente”, disse Mirlei.
 
O velório de Mário, rea-lizado no São Vicente de Paulo, recebeu boa parte dos amigos que fez pela vida afora. Seu sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, aconteceu dia 20, no Cemitério Jardim das Oliveiras.

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