Milagre


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Tudo quanto denominamos milagre é, na verdade, natural. Nada está fora da Natureza. Não há milagres, mas ação, reação e interação psíquicas. 
 
Jesus dizia ‘o que eu faço, vós podeis fazer, e muito mais’. E o que Ele fazia advinha da Sua absoluta familiaridade com os recursos das leis naturais, aplicando-os em benefício dos que se achavam, ainda que temporariamente, em harmonia com os supremos desígnios. 
 
A Doutrina Espírita não nega o Amor, a Justiça, a Sabedoria, a Misericórdia divinos, mas assevera que o que ocorre é que não conhecemos, ou conhecemos muito pouco, a realidade das leis naturais, daí classificarmos fenômenos inexplicáveis do ponto de vista material como miraculosos ou sobrenaturais. 
 
Hélio Schwartzman, na Folha de S. Paulo de 23/12/2015, fez interessantes considerações sobre o tema milagre, concordantes com o que ensina a Doutrina Espírita. 
 
Disse: ‘...Não encontrar muito é muito mais da nossa ignorância do que da certeza de um milagre.’ Grande parcela humana, todavia, preferindo a credulidade a dar-se ao trabalho da investigação, admite a existência de fenômenos fora, e até acima das leis naturais. 
 
No capítulo XV do livro A gênese, seu autor, Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, apresenta-nos interessantes esclarecimentos sobre os milagres no Novo Testamento, lembrando que milagre - do latim miraculu - não existe no sentido de ‘feito extraordinário’, que ‘não se explica pelas leis da natureza’, posto que dessas nada escapa, mas são fenômenos resultantes da interação psíquica, isto é, do espírito, expressão inteligente do Universo. 
 
Ensina que Deus, sendo a Suprema Perfeição, há de possuir todos os atributos no grau superlativo. Assim, entre as divinas qualidades essenciais que conseguimos alcançar, está a imutabilidade. 
 
Se Deus é inalterável, inalteráveis e inderrogáveis são suas leis, não dando, portanto, ensejo à sobrenaturalidade. 
 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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