Fogos de artifício, apitos, carro de som e gritos de protesto marcaram o início, às 16h57 dessa sexta-feira, 19, do bloqueio da rodovia Altino Arantes, no trecho que liga as cidades de Batatais e Altinópolis. Grupos que se manifestam contra a instalação de novas praças de pedágio na região haviam se concentrado uma hora antes, no quilômetro 35 da rodovia, e prometiam bloquear o tráfego de veículos durante pelo menos uma hora.
Entretanto, uma forte chuva, regada a ventanias e trovoadas, pôs fim à manifestação meia hora antes do previsto. Segundo os organizadores, a Polícia Militar Rodoviária - que organizava o trânsito e orientava os motoristas com um efetivo de 18 homens e sete viaturas - disse que a extensão do mau tempo e das quilométricas filas de veículos que se formaram aumentaria o risco de acidentes e transtornos após a liberação da pista.
Dos dois lados da Altino Arantes, centenas de carros e caminhões ficaram paradas e, alguns, reclamavam e questionavam os policiais sobre a paralisação. Antes do fechamento, porém, quem passava buzinava e dava gritos de incentivo. Houve quem parasse no acostamento para entender melhor o protesto. Um deles foi o vendedor de frutas José Donizete, que seguia para Monte Santo de Minas (MG) e afirmou que a implantação de uma praça de pedágio no local inviabilizaria sua atividade de comercializar frutas na região. “Se colocar, vou ter que circular mais pelos lados de Minas ou, então, meu lucro vai embora”, disse.
O impacto na economia e o consequente reflexo na geração de empregos foram os pontos centrais do discurso do vereador batataense Luís Fernando Gaspar Junior (PTB). “Estamos unidos contra a implantação de uma praça de pedágio aqui. Algo que não trará nenhum benefício para a cidade e região (...), estamos nos manifestando contra o governo do Estado, principalmente contra o secretário de Logística e Transportes, o deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), que teve mais de 7 mil votos aqui e esse é o presente que ele nos dá. E também o deputado estadual Roberto Engler (PSDB), que propagandeou (...) melhorias sem pedágios”, disse.
Na mesma linha combativa contra um possível novo pedágio, discursaram também os vereadores de Batatais professor Antônio dos Santos Moraes Junior (PPS), Hélio Pereira (PPS), Ricardo da Fonseca Corrêa (PT) e Maria das Graças Arantes Silva (PMDB).
Além da Câmara de Batatais, entre os manifestantes estavam o presidente da Câmara de Franca, Marco Garcia (PPS), o vice-prefeito de Rifaina, Alcides Diniz dos Santos, o Cidinho (PMDB), além de vereadores de cidades da região, como Pedregulho, Cristais Paulista, Patrocínio Paulista e Itirapuã, que chegaram ao local em um ônibus que partiu de Franca para fortalecer o movimento contrário às cobranças nas rodovias.
Entidades de classe, como a ACE (Associação Comercial e Empresarial) de Batatais e o Sindicato Rural de Batatais também estavam no local, portando faixas de protesto.
Embora tenha confirmado a presença e já tenha se manifestado contrário à instalação de uma praça de pedágio, o prefeito em exercício de Batatais, José Paulo Fernandes (PSDB), não estava presente no momento do protesto. “Eu não consegui chegar ao local durante a paralisação. Fiquei no congestionamento e não tinha como passar. Mas já havia me manifestado e reafirmo a minha posição contrária aos pedágios e de apoio ao movimento”, disse, completando que documentará todas as ações contrárias à implantação de novas praças de pedágio, bem como a cobertura da mídia, e apresentará todo o material em duas audiências que estão agendadas para a próxima semana: uma na Secretaria de Transportes e a outra na Casa Civil. “Temos que demonstrar como os batataenses e a região estão insatisfeitos e protestando.”
Outros protestos já ocorreram nas rodovias Cândido Portinari e Ronan Rocha. Outra manifestação está prevista para o próximo dia 26, nessas mesmas rodovias.
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