O número de casos confirmados de dengue em Franca dobrou em apenas uma semana. No último dia 10, a cidade tinha 12 pessoas com a doença. Ontem, esse número pulou para 24. Isso sem considerar os casos importados - aqueles em que o paciente é infectado em outro município -, que somam 3 registros. O preocupante é que essas notificações devem crescer ainda mais, já que a cidade investiga outros 764 casos. Em média, 15 novas suspeitas têm surgido diariamente e a Vigilância Epidemiológica de Franca bem como a população intensificam seus trabalhos de combate ao mosquito e a seus criadouros.
“Neste sábado, vamos realizar mais um arrastão contra a dengue nos bairros Palestina, Líbano, Brasil, Centenário e São Luiz I e II”, disse o gerente de serviços da Vigilância, Cléber da Silva Benedito. “O interessante é que essa ação foi proposta pela própria comunidade. Entre nossa equipe e a população, vamos reunir cerca de 70 pessoas”, completou.
Embora a maior parcela da comunidade esteja engajada no movimento contra o Aedes aegypti, 5% das visitas dos agentes de fiscalização da Vigilância são barradas. De acordo com Cléber, os impedimentos ocorrem nos bairros nobres, por funcionários que não se sentem no direito de liberar a entrada sem a aprovação do patrão ausente. “Somando esses casos aos das residências desocupadas e as que os donos não se encontram, registramos uma pendência de 30% nas visitas casa a casa”, disse Cléber. “É uma porcentagem superior aos 20% tolerado pelas Normas e Diretrizes do Ministério da Saúde mas, para compensar isso, estamos trabalhando aos fins de semana e enviando agentes aos endereços pendentes em horários alternativos, como à noite.”
Segundo a Vigilância, os casos estão espalhados pela cidade. Do Aeroporto ao Leporace, do Zelinda ao Jardim do Éden, há pessoas com a doença. As maiores concentrações estão em bairros da região do Complexo Aeroporto, Ângela Rosa, Paulistano, Francano, Centro, Vila Formosa, Leporace e Santa Terezinha.
Casas fechadas
A proliferação do mosquito Aedes aegypti e as consequências das doenças por ele transmitidas, como a dengue, febre chikungunya e o zika vírus - capaz de provocar microcefalia durante a gestação - fez com que a presidente Dilma Rousseff publicasse, em 29 de janeiro, a medida provisória 712, permitindo a entrada compulsória dos agentes em locais fechados e com fortes indícios de criadouros.
O terceiro artigo da medida permite “o ingresso forçado em imóveis públicos e particulares, no caso de situação de abandono ou de ausência de pessoa que possa permitir o acesso de agente público, regularmente designado e identificado, quando se mostre essencial para a contenção das doenças”.
“Mesmo com a medida assinada pela presidente, enviamos o documento para que o setor jurídico da Prefeitura avalie se não há nenhuma inconformidade. Não fizemos isso em Franca e a entrada do tipo só pode ocorrer em casos extremos”, disse Cléber. “Continuaremos a procurar e notificar os donos dos imóveis, como temos feito.”
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