O jornalista e radialista Hélio Rodrigues, que perdeu o filho Hérick Rodrigues, de 27 anos, em um acidente na noite de segunda-feira, dia 15, usou o Facebook para escrever uma carta à família de Elvis Augusto da Silva, de 31 anos, que ao tentar uma ultrapassagem, bateu frontalmente com Hérick.
Os veículos de ambos ficaram destruídos e os dois homens morreram no acidente. Hélio, que já trabalhou no jornal Comércio da Franca e na rádio Difusora AM, relatou na carta que "na morte, a dor de um não é maior que a do outro". "Quero aqui, em nome da minha mulher Mônica e de nossos filhos, transmitir uma palavra de solidariedade e conforto à esposa e filhos de Elvis", escreveu Hélio.
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Elvis tentou ultrapassar um caminhã em local proibido e acabou batendo frontalmente contra o carro de Hérick. "Se não somos nada para julgar quem quer que seja, menos ainda somos para condenar", continua o radialista. "Não nos vemos no direito de pensar ou dizer que sofremos mais que a família de Elvis", explica Hélio. "Fico imaginando, que centenas de outras mães e pais que perderam filhos de forma trágica, após buscarem entender, encontrar explicações, também tenham se sentido culpados, ou com vontade de perdoar quem julgavam culpados. Felizmente, temos aqui este espaço, onde dividimos dores, alegrias e estado de espírito", comenta o radialista, desejando que a família de Elvis receba o conforto necessário para enfrentar a dor de perder um ente querido. "Neste momento de dor para todos nós, podemos fazer muito pouco, mas estamos aqui, caso queiram, dividir com a gente o sofrimento que nós e vocês estamos passando. Sei que, mais uma vez Hérick está aqui, pois ele era assim em vida e vai continuar sendo na morte: preocupado com o próximo, com a Justiça das coisas.Obrigado a todos. Obrigado Deus!", conclui o radialista.
Leia a carta na íntegra:
NA MORTE, A DOR DE UM NÃO É MAIOR QUE A DO OUTRO
(Mensagem à família de Elvis Augusto da Silva)
Depois do impacto da morte de nosso filho Hérick, de nos resignarmos e conformarmos, em meio à saudade que sentimos de sua presença esfuziante, voltamos nosso pensamento à família da outra vitima fatal que se abateu sobre nós, Elvis Augusto da Silva.
Quero aqui, em nome da minha mulher Mônica e de nossos filhos, transmitir uma palavra de solidariedade e conforto à esposa e filhos de Elvis.
Já no Plantão Policial, na madrugada de terça-feira, eu falava ao delegado, Dr. Milessandro e à escrivã Lilian, que, embora fosse procedimento obrigatório e de praxe da autoridade, o que menos importava eram os resultados dos exames dosagem alcóolica e de perícia para confirmar se a CNH dele seria falsa ou não.Este momento de lucidez, analisado depois, me deu a certeza de duas coisas: naquele momento Deus estava ao meu lado e Hérick já me pedia a força da resignação.
Se não somos nada para julgar quem quer que seja, menos ainda somos para condenar.
O que nos foi ensinado, e são poucas vezes que temos a chance de praticar, é perdoar.
Mas também não me julgo no direito de perdoar, porque a gente só pode fazer isso quando julgamos alguma coisa ou alguém errado.
Se temos a força do perdão, não significa que temos a força da verdade absoluta.
Não nos vemos no direito de pensar ou dizer que sofremos mais que a família de Elvis. Mesmo porque, como disse, na morte a dor de um não é maior que a do outro.
Espero que a esposa e os filhos de Elvis estejam encontrando a mesma força divina que estamos vivemos nos últimos dias e noites para enfrentar a ausência de um ente querido, que para nós, era de luz, de exemplo e amor, na pessoa do Hérick.
Às vezes o choro nos pega para lembrar que nunca seremos fortes o suficiente para acharmos que somos melhor que o outro.Agora mesmo, ao escrever, pedi ao Hérick que guiasse minhas mãos.
Não seria a morte, o último julgamento, de que falam a Bíblia e a linda canção?
Desde ontem, me veio este pensamento insistente para que eu enviasse esta mensagem à esposa e filhos de Elvis.
Fico imaginando, que centenas de outras mães e pais que perderam filhos de forma trágica, após buscarem entender, encontrar explicações, também tenham se sentido culpados, ou com vontade de perdoar quem julgavam culpados.
Felizmente, temos aqui este espaço, onde dividimos dores, alegrias e estado de espírito.
Mas, se antes eu tinha esta visão, hoje sei que na verdade, aquele que parte para o plano espiritual, que é imensamente maior que a passagem de tempo terreno, desejaria sim, como o Hérick está desejando, que todos nós entendêssemos que na morte, a dor de um não é maior que a do outro.
Esperamos, eu, Mônica e os filhos, que Deus dê à família de Elvis, sua mulher e filhos, todo este maravilhoso bálsamo de conforto que estamos recebendo em forma de graça divina.
Neste momento de dor para todos nós, podemos fazer muito pouco, mas estamos aqui, caso queiram, dividir com a gente o sofrimento que nós e vocês estamos passando.
Sei que, mais uma vez Hérick está aqui, pois ele era assim em vida e vai continuar sendo na morte: preocupado com o próximo, com a Justiça das coisas.
Obrigado a todos. Obrigado Deus!
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