O radialista e jornalista Hélio Rodrigues Ribeiro, em toda a sua carreira, viu muita coisa. Acompanhou tragédias que abalaram famílias, a solução de crimes insolúveis e ocorrências policiais estranhas, quando comandava programas policiais que se tornaram líderes de audiência nas emissoras de rádio de Franca. Nos últimos anos, trocou os plantões de polícia pela assessoria de imprensa de Prefeituras e Câmaras Municipais da região. Por isso, nunca poderia esperar que sofresse o mais duro golpe de sua vida ao ver um de seus filhos, Hérick Rodrigues Malta Ribeiro, 27, morto em meio aos destroços de seu carro. Uma colisão frontal, na última segunda-feira, tirou a vida de um jovem doce, honesto e sincero, que seguia os passos do pai no jornalismo. Congelou um sorriso constante, marca registrada de quem procurava conviver em paz com todos.
A dor de Hélio Rodrigues, que ele externou em carta publicada em suas redes sociais e replicada pelo Portal GCN, é a mesma dor de centenas de pais e mães de jovens que saem de casa e só retornam dentro de uma urna funerária. A morte de Hérick causou uma grande comoção em toda a região, a mesma comoção já sentida em outros desastres fatais no nosso caótico e selvagem trânsito. Na maioria das vezes, como no caso de Hérick, são vítimas inocentes de um condutor imprudente, que não se preocupa com a própria vida e nem com a dos que os cercam. O trânsito brasileiro mata mais do que doenças graves, como câncer ou cardiopatias. Nem o endurecimento do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), com a definição de pesadas multas para infrações e crimes cometidos por condutores de veículos automotivos, foi capaz de reduzir os altos números.
Há países onde não há tanta limitação de velocidade, como a Alemanha, que comemora períodos bastante longos sem acidentes fatais. Aqui no Brasil, porém, falta responsabilidade, prudência e consciência a muitos motoristas e motociclistas que não se furtam em dirigir depois de ingerir bebidas alcoólicas. Ou então atravessar o sinal vermelho, sem se preocupar com a possibilidade de ter alguém atravessando a faixa de pedestre. A continuar esta situação, ainda registraremos a dor de nossos cidadãos, como Hélio Rodrigues, familiares e amigos de Hérick, cuja vida foi obliterada numa rodovia depois que outro carro invadiu a pista ao tentar ultrapassar um caminhão. Nenhum pai merece passar pelo que Hélio Rodrigues vem passando desde a noite de segunda-feira. Porém, caso os condutores de veículos automotores não se conscientizarem da sua real importância para mudarem este trânsito assassino, todos continaremos chorando pelas vítimas inocentes que continuarão a perecer em nossas ruas e estradas.
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