Havia prometido a mim mesmo que não iria mais me envolver em confusões. Mas, está difícil. Meu telefone tocou na tarde de ontem. Do outro lado da linha, estava o deputado Roberto Engler (PSDB). Conversamos por 15 minutos. O homem está bravo.
Primeiro, rebateu a entrevista concedida por seu companheiro de partido Duarte Nogueira. O secretário estadual de Transportes havia me dito, no dia anterior, que desconhecia promessas de que as rodovias locais seriam duplicadas sem a implantação de pedágios. “Se o deputado Roberto Engler fez alguma promessa, ele que responda pela promessa que fez.”
Engler se indignou outra vez. “Estranhei demais da conta a manifestação do Nogueira. O secretário acompanhou, em setembro de 2014, visita ao GCN do então secretário de Transportes Clodoaldo Pelissioni, quando ele reiterou que não haveria pedágios. Nogueira acompanhou tudo. Na oportunidade, inclusive, Pelissioni se levantou da cadeira para o Nogueira se sentar. Como é que, agora, ele fala que não sabia? Que história é essa? Se ele dobrou comigo e viu toda a minha propaganda, por que não se manifestou antes?”
Nogueira não foi o único alvo. Engler contou ter se reunido com os 20 deputados da bancada do PSDB e exposto as dificuldades de ser recebido pelo governador Geraldo Alckmin. “Apesar de três solicitações de audiências e de duas cartas, ele não responde. O governador não está respeitando a minha representatividade.”
Engler pediu ao líder do governo que consiga a aproximação com Alckmin e avisou que não aguentará o gelo por muito mais tempo. “O prazo é exíguo. Não posso implodir, embora tenha vontade, para não fechar as portas.” O ultimato é a próxima semana. Se não tiver uma resposta do governo, o deputado ameaça começar o processo que classificou de “implosão”. “Temos a estratégia de ir apertando até, quem sabe, um rompimento. Farei manifestação no plenário, na TV Assembleia e na grande imprensa de São Paulo para justificar que a implosão é a última coisa que podia fazer.”
Boletim de ocorrência: Marco Aurélio Ubiali, “vice” do vice-governador do Estado, que andava sumido de Franca, esteve na DDM segunda-feira. A visita teve a finalidade de convidar a delegada Graciela Ambrósio (PTB) para se filiar ao PSB e ser a candidata a prefeita pelo partido. Ela disse não. As portas ficaram abertas para eventual formação de aliança para tentar derrubar Alexandre Ferreira.
Zica vírus: Fenômeno incrível acontece na Câmara. Toda vez que um projeto polêmico vai ser votado, chega algum “munícipe” com problema urgente para vereador resolver no gabinete.
Campanha eleitoral: A Prefeitura vai inaugurar, nos próximos dias, a sede da Secretaria de Educação, que já funciona no antigo prédio do “esqueleto” desde setembro. O imóvel foi comprado por R$ 1,7 milhão. Somando as despesas com a reforma e adaptação, o gasto ultrapassou R$ 11,6 milhões. A obra deveria ter sido entregue em fevereiro de 2014.
Pode isso, Arnaldo?: A Justiça Eleitoral está de olho em outdoors, no Aeroporto, com imagens de obras e a seguinte mensagem e foto do homenageado: “Os moradores agradecem ao vereador Claudinei da Rocha pelas conquistas”. Me surpreendi. Juro que não acreditava que eleitores bondosos fossem gastar dinheiro, em tempos de crise, para agradecer político.
Continuarei incomodando: Fecho a coluna de hoje com uma citação do escritor George Orwell. “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.”
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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