Sem dinheiro, sem futebol, mas cheio de esperança


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Fachada da sede da Veterana, no Centro da cidade. Time não disputará a Série B em 2016
Fachada da sede da Veterana, no Centro da cidade. Time não disputará a Série B em 2016
Anderson Pereira não inscreveu a Francana para disputar o Paulista da Série B. O absurdo, segundo alguns, é explicado pela falta de apoio e dinheiro. Surpreendentemente, o dirigente se mantém otimista, tem planos para remontar a base e já conta os dias para retornar ao estadual.
 
Quando você assumiu a presidência, já imaginava que o time teria que pedir licença da Federação Paulista? Acreditava que conseguiria o apoio necessário? 
Sabia que não seria fácil. Após tentar apoio via patrocínio - e sem sucesso -, tentei pelo menos cinco opções de parcerias com clubes e empresários da bola. As únicas que se apresentaram, não ofereceram garantias para o clube e sem garantias eu não colocaria o clube em mais uma furada.
 
No seu ponto de vista, como foi a recepção da torcida e da cidade ao licenciamento? 
Sinceramente estou surpreso com a repercussão. Todos que tenho uma conversa franca e sincera me respondem que foi a melhor atitude para o momento. Claro que alguns através das redes sociais ficaram bravos, espernearam, mas é uma minoria que não está a par da situação do clube. Gritam por gritar. Aqueles que conseguimos explicar a real situação entendem e apoiam. 
 
O que tem sido feito para reorganizar a Francana? 
O primeiro passo é reorganizar, ou melhor, recriar o departamento de futebol. Infelizmente estava totalmente desmontado. Hoje já contamos com profissionais em pleno trabalho no Nhô Chico. Temos treinos 3 vezes por semana com as categorias de base o sub 13,15 e 17 . Participamos recentemente da Copa Guará, que foi a primeira experiência e outras competições regionais virão para nos preparar para o profissional. Conseguimos dar uma revitalizada no campo e isto nos permite trazer novas pessoas. Infelizmente, não temos recurso algum e do próprio bolso é o que dá para fazer. O Projeto Clube dos 100 está saindo do forno e estou tendo o máximo de cuidado para lançá-lo. Dele irão vir os recursos necessários para a reestruturação deste departamento e aí sim vamos preparar um sub 20 forte para ser nossa base de atletas profissionais. 
 
O clube dos 100 já conseguiu alguns adeptos. Quem são?
Como disse estou preparando com muito cuidado o projeto, o contrato, campanha, material explicativo e tudo que envolve. Nesta última quinta feira, em conversa com um diretor das lojas Besni, em São Paulo, tivemos a primeira adesão, mesmo sem ter o material em mãos. Foi uma grande satisfação de minha parte pois os caras lá de fora acreditaram no projeto. Em Franca, tenho informalmente uns dez que já deram o ok, mas ainda não tive o tempo necessário para fazer visitas. Acredito que assim que soltar na mídia vou conseguir minha meta de 100 empresas patrocinando a reestruturação do clube. O projeto tem um custo baixo mensal, porém é para dois anos, o tempo necessário para nossa reestruturação.
 
O time volta em 2017?
Estou trabalhando para que isso aconteça e minhas perspectivas são as melhores. Como disse anteriormente o pedido de licença parece que deu força. As pessoas que me conhecem sabem que não estou aí para brincadeira. As que não me conhecem estão apoiando, comprei uma briga e vou para a luta. Agora a resposta definitiva virá no tempo certo. A cidade tem que abraçar o time, mas já estou em contagem regressiva para 2017.
 
Algumas pessoas dizem que se não teria condições de montar uma equipe, a diretoria deveria ceder o lugar a outros interessados. Alguém procurou a Francana se dispondo a montar um time? 
Vez ou outra escuta-se esta história que fulano ou sicrano pegaria o clube e que seria tudo diferente. Sou presidente há 3 meses, mas estou junto com o Dr. Clésio Silveira, presidente do Conselho Deliberativo, desde o abandono da última diretoria, em abril de 2015. Posso garantir que ninguém procurou o clube para assumir. Temos regras no estatuto que devem ser cumpridas. Tempos atrás estávamos até dispostos a mudá-las caso aparecesse alguém. Inclusive gostaria de deixar aqui um registro, um colega da imprensa de Franca teve o nome cogitado a disputar eleições no mandato anterior, mas foi barrado por questões estatutárias. Fiz questão de enviar uma ficha para ele se tornar sócio do clube. Isso talvez o animaria a disputar o pleito. Infelizmente até agora ele não aderiu e quem quer ser presidente de uma entidade tem que pelo menos ser sócio, frequentá-la, saber o que se passa na realidade. Quem está fora pensa uma coisa. Dentro é que sabemos das dificuldades. Infelizmente soltam boatos e aí vira isto, que não deixamos pegar o clube. Mas tudo não passa de boatos.
 
O que faltou para concluir uma parceria com algum clube?
Acho que um pouco mais de tempo e sorte. No Botafogo fui extremamente bem recebido e a ideia inicial era disputar com o Sub 20 deles, mas infelizmente após o final da Copa São Paulo, o panorama mudou devido ao resultado ruim deles. Já em Araraquara, na Ferroviária, não conseguimos nem falar com as pessoas que decidem, pois todas estavam focadas na estreia da Série A1. Nos bastidores, tinha uma sinergia boa para uma parceria dar certo. Faltou tempo.
 
Qual a dívida atual do clube?
Ela está estimada em R$ 12 milhões, dividida em impostos e taxas federais, municipais, processos trabalhistas, cíveis, FGTS e com fornecedores. Vamos tentar negociar com os credores ao máximo. Temos de enfrentar essa situação. 

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