Reformar coisas usadas é opção de economia diante da crise econômica


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A costureira Andresa Degrande Tofanin registra aumento de até 40% na quantidade de pedidos para consertar roupas
A costureira Andresa Degrande Tofanin registra aumento de até 40% na quantidade de pedidos para consertar roupas
Ajustar uma calça que está larga, consertar o salto do sapato ou a alça da bolsa arrebentada, trocar uma peça do liquidificador para que volte a funcionar ou usar uma roupa para fazer uma outra peça. A palavra de ordem parece ser: reaproveitar. A economia instável e a insegurança em relação ao futuro, tem motivado uma mudança de hábito entre os consumidores francanos. Ao invés de adquirir novos produtos, muitos estão optando por consertar ou reparar peças usadas. Agora comprar está em segundo plano.
 
Comerciantes que trabalham com reparos de produtos, como sapateiros, costureiras e eletricistas, já sentem os reflexos desta nova postura. Segundo os profissionais, nos últimos anos os consumidores se adaptaram a uma vida de consumo, menos consciente, e agora, com a crise econômica, estão se policiando e buscando alternativas para manter o padrão, mas gastando menos com isso.
 
“Trabalho há 20 anos com reparos e consertos, além de confeccionar peças. Desde o ano passado a procura pelo serviço aumentou até 40%, principalmente no setor de peças infantis, em que o produto chega a sair até 70% mais barato. As pessoas estão se conscientizando quanto aos benefícios de reaproveitar e acredito que a tendência é aumentar ainda mais”, disse a costureira Andresa Degrande Tofanin, que conta com o auxílio das duas filhas para conseguir atender a maior demanda de serviços.
 
Segundo ela, antes as roupas que tinham um zíper estragado, uma mancha ou furos eram descartadas, mas agora os clientes optam por reaproveitar e, quando o uso não é mais viável, usam o tecido para fazer outras peças, como tapetes, capas para almofadas e até cortinas. “Sempre tive o hábito de reformar, consertar e reparar as roupas. Tenho duas netas e regularmente aproveitamos as roupas da mais velha para a mais nova como forma de economizar. Cortinas, almofadas, tudo é aproveitado e, com a crise, reforçamos essa prática”, disse a dona de casa Creusa Vieira Cavaline, de 65 anos.
 
Especialista em reparos de bolsas, sapatos e malas, o sapateiro Reginaldo Finoti, 56, também observou uma melhora de até 20% nos pedidos. “Hoje, os consumidores estão preferindo arrumar seus produtos ao invés de adquirir novos. E essa é uma realidade que atinge desde o mais humilde até o cliente mais controlado. É impossível prever como se estará a um longo prazo, como antes quando as pessoas compravam muito e parcelavam em até dez vezes no cartão de crédito”.
 
Eletrodomésticos
A empresa em que trabalha Carlos Aparecido, 39, faz assistência técnica em eletrodomésticos e foi uma das favorecidas pela crise. Apenas nos últimos dois meses, o aumento na procura pelos serviços na empresa cresceu 20%. 
 
“Os produtos novos estão muito mais caros. No caso de televisores, o tipo de serviço mais procurado aqui, a diferença entre o reparo e um aparelho novo é enorme. Em média, o conserto de um televisor antigo fica entre R$ 100 e R$ 150. Na loja, hoje, um aparelho não sai por menos de R$ 1 mil”, disse o técnico em eletrônica.
 
O reaproveitamento de produtos chegou até aos celulares. Segundo Rafael Theodoro Batista, que trabalha em uma loja que realiza consertos em aparelhos de telefonia móvel, além de tablets e computadores, a procura foi de 25% nos últimos meses. “Antes era só quebrar uma tela que os clientes preferiam comprar um aparelho novo e encostavam o antigo. Agora, com o desemprego e a inflação nas alturas nada pode ser desperdiçado. As pessoas estão se conscientizando dessa nova realidade”, disse.

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