Carros abandonados em vias públicas há até dez anos geram medo da dengue


| Tempo de leitura: 3 min
Corsa sem pneus, amassado e com vidros quebrados está estacionado há mais de um ano na avenida Paulo Roberto Cavalheiro Coelho
Corsa sem pneus, amassado e com vidros quebrados está estacionado há mais de um ano na avenida Paulo Roberto Cavalheiro Coelho
De possíveis criadouros do mosquito da dengue a esconderijos para ladrões e usuários de drogas, carros abandonados nas vias públicas têm causado insegurança para quem vive ao redor. O Comércio percorreu bairros em Franca e encontrou veículos estacionados no mesmo local há mais de anos. “Moro no Jardim Alvorada há uns 19 anos e faz uns dez que convivo com essa Variant ‘estacionada’ no terreno ao lado do meu condomínio. Já acharam dentro desse carro de cobra a lobo guará que os Bombeiros tiveram que vir tirar”, disse a secretária Tânia dos Santos. “Atualmente, há pneus, espumas e um amontoado de coisas que podem ser criadouro de mosquitos da dengue. O pessoal também entra ali para fazer sexo e usar drogas e esse carro fica próximo a uma escola”.
 
Outro caso do tipo foi registrado na Vila Europa, onde se encontram restos de um Corsa. “O dono foi preso há mais de um ano e o carro ficou lá. O pessoal foi levando as peças embora e só ficou a carcaça. Já vimos pessoas dormindo lá dentro, ‘namorando’ e até usando drogas”, disse um morador dos arredores da rua Paulo Roberto Cavalheiro Coelho. “Se olhar por dentro, vai ver água parada, um perigo para a dengue. Tem uma vizinha aqui que está com a doença”, afirmou outro.
 
No Jardim Boa Esperança, em duas ruas, a situação foi flagrada: na Orestes Ravagnani e Cruz e Souza. Na primeira, um Fiat 147 encontra-se parado embaixo de uma árvore há mais de seis meses, segundo estimam os vizinhos. Bancos, vidros, placas e acessórios já não existem mais e, com o abandono, as mesmas inseguranças de moradores de outras regiões da cidade se repetiram. “Já perguntamos aos vizinhos todos se esse carro era de alguém e ninguém tem nem ideia de quem seja. Numa noite não estava e, no outro dia, estava aí e ficou”, disse o sapateiro Gumercindo Ferreira. Ele afirma que quando chove, o veículo enche d’água e se formam poças, um risco para a proliferação do mosquito transmissor da dengue. “Quando está seco, os outros se escondem lá dentro. Pode ser até bandido e a gente não sabe”. 
 
Já na Cruz e Souza, o “esquecido” foi um Passat antigo. Em um ponto comercial próximo, além da insegurança quanto à dengue, foi acrescentada a preocupação com os clientes. “Acho que já vai fazer uns oito meses que está parado. Para a gente, que tem comércio, é ruim porque atrapalha o cliente estacionar e fica esse aspecto sujo”, disse a cabeleireira Andreia de Souza.
 
Disque Dengue
A Vigilância em Saúde informou que casos do tipo, quando há o risco de formação de criadouros da dengue, o munícipe pode entrar em contato solicitando os serviços do departamento. “No caso dos carros, fazemos a vistoria e acionamos a Secretaria de Segurança para providenciar a remoção dos veículos. Não é o tipo de chamada que recebemos com frequência mas tem aparecido, sim, casos de carros abandonados que estão acumulando água indevidamente”, afirmou o chefe do setor, José Conrado Netto.
 
Abandono 
Segundo a Secretaria de Segurança e Cidadania, veículos abandonados em via pública podem ser recolhidos pela Prefeitura ao Pátio Municipal e destinados a leilão. “Quando casos do tipo chegam até nós, identificamos o proprietário e o notificamos. Se o carro não for recolhido, fazemos a remoção e encaminhamos o mesmo ao Pátio e ele pode ser leiloado”, afirmou o secretário da pasta, Sérgio Buranelli. Ainda de acordo com ele, entre a notificação e a remoção, o tempo estimado da ação é de cinco dias.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários