O óleo de cozinha usado, que muitas donas de casa descartam incorretamente no ralo da pia, poderá ser levado a partir de agora para a igreja. Uma ação lançada na última quarta-feira, 10, pela Diocese de Franca, transformará todas as paróquias em postos de coleta do material. A iniciativa faz parte da Campanha da Fraternidade 2016, que nesse ano debate o saneamento básico do País e o meio ambiente.
Segundo o coordenador diocesano da Campanha da Fraternidade, José Roberto da Silva, o projeto já existe na região e consiste na troca de óleo usado por óleo novo na proporção de cinco litros por três. “Como o projeto coincide com a proposta da campanha, o nosso bispo, Dom Paulo Roberto, teve a ideia de reforçá-lo, inclusive com a participação de outras igrejas cristãs”. A conversa com outras igrejas cristãs para aderir ao movimento deve acontecer nos próximos dias. Entre elas estão as igrejas Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil, Presbiteriana Unida do Brasil, Sirian Ortodoxa de Antioquia e Aliança de Batistas do Brasil
Na ação, além de pedir a colaboração da população na destinação do óleo de fritura até os postos de coleta (em Franca existem 21 paróquias e na região outras 21), a Diocese também contará com os fiéis para utilização dos litros de óleos novos na montagem das cestas básicas destinadas às famílias carentes.
Trabalhos
Diretor da ArcoLimp, empresa responsável por recolher e repassar o óleo usado para a companhia Brejeiro, Antônio Mauro Alves, diz que o percentual de material coletado atualmente é muito baixo diante da gravidade do problema. Em 2015, em 19 cidades da região, foram coletados apenas 10 mil litros de óleo usado. “É muito pouco. As pessoas precisam ter consciência de que o óleo de fritura tem deixado a água superficial gordurosa. Ele não pode ser jogado no esgoto, pois é um poluente em potencial”, disse ele.
Alves espera que a população compreenda a necessidade do destino correto do material e a ação ultrapasse o período da Campanha da Fraternidade. Segundo ele, o óleo recolhido é transformado em biodiesel.
Assessor eclesiástico da Campanha da Fraternidade e vigário da Paróquia São Sebastião em Franca, o padre Luiz Antônio Brentini afirma que dar um destino correto ao óleo é mais do que um ato cristão. “É uma ação humana. Todos, independente da religião, devemos cuidar do que é nosso. Precisamos despertar para essa responsabilidade”.
Ele ressalta ainda os riscos de utilizar o material para produzir sabão. “Ledo engano aquele que guarda óleo sujo para fazer sabão, pois continua contaminando a água”.
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