Protesto contra pedágios é marcado por atropelamento e rodovia fechada


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Manifestação contra instalação de novos pedágios na região causou lentidão por cerca de oito quilômetros da rodovia Ronan Rocha, entre Franca e Patrocínio Paulista
Manifestação contra instalação de novos pedágios na região causou lentidão por cerca de oito quilômetros da rodovia Ronan Rocha, entre Franca e Patrocínio Paulista
Um atropelado, centenas de veículos parados, pistas bloqueadas e congestionamento quilométrico. Este foi o saldo do protesto realizado ontem à tarde na rodovia Ronan Rocha em repúdio à instalação de uma praça de pedágio no local. Embora houvesse uma liminar expedida pelo Tribunal de Justiça para que a manifestação fosse feita no acostamento, as pistas ficaram completamente travadas nos dois sentidos por uma hora. Manifestantes e polícia trocaram acusações pela causa da invasão. 
 
Faltavam alguns minutos para as 17 horas, quando começaria o protesto, e dezenas de veículos e pessoas se concentravam nos acostamentos. Havia oito viaturas da Polícia Rodoviária e quatro da Força Tática da Polícia Militar. Não havia cones ou faixas de segurança no ponto em que os manifestantes se concentravam. O presidente da Câmara de Pedregulho, Carlos Peracini, tentou atravessar a pista e foi atropelado por um motoqueiro.
 
Foi o estopim para que centenas de manifestantes deixassem o acostamento e se aglomerassem nas duas pistas. A partir daí, o tráfego de veículos ficou bloqueado por uma hora. “A gente fica indignado. Não havia sinalização alguma. A Autovias e a Polícia Rodoviária fizeram um ‘auê’ danado, mas, no fim, deixaram o cara (motociclista) passar correndo aí. Não havia proteção para ninguém”, disse Peracini, que sofreu apenas escoriações. O condutor da moto ficou caído no canteiro central até que uma viatura de resgate da Autovias chegasse para socorrê-lo. Seu estado de saúde não foi informado. Mas, aparentemente, sofreu ferimentos leves.
 
Para os manifestantes, a culpa pelo atropelamento, que culminou na invasão da pista, teria sido o fato de a concessionária ter descumprido determinação e não sinalizado a rodovia. “Fiquei indignado com o que aconteceu. A decisão do TJ mandou a Autovias fazer a sinalização num trecho de cinco quilômetros e uma hora antes do protesto, mas nada disto foi feito. Foi uma omissão desta empresa que não é Autovias, parece ser ‘assaltovias’”, afirmou Marco Garcia, presidente da Câmara de Franca. 
 
Alcides Diniz, vice-prefeito de Rifaina, também afirmou que a falta de sinalização foi a causa do tumulto. “Tinha tudo para ser um protesto pacífico, mas a Autovias não cumpriu com o que deveria ter feito, que era sinalizar a pista. Eles entraram na Justiça para proibir o protesto e não estão cumprindo a obrigação deles. A Autovias não fez a sinalização, mas mandou um advogado para acompanhar o protesto.”
 
“A gente esperava que a polícia e a Autovias seguissem os critérios determinados na sentença, inclusive, de fazer a sinalização, o que não aconteceu. Infelizmente, por este motivo, houve o atropelamento”, afirmou Néria Buzatto, vice-prefeita de Patrocínio Paulista. “Não tinha fiscalização, mas tinha muito policial para multar e tentar intimidar os manifestantes”, completou.
 
Capitão Junqueira, comandante da Polícia Rodoviária, rebateu as críticas e culpou os manifestantes pelos transtornos. “Houve uma série de intempéries, como o atropelamento, que não ocorreriam caso a determinação judicial de fazer o protesto no acostamento tivesse sido cumprida.”
 
Para o policial, as afirmações de que faltou segurança não procede. “Isso é uma inverdade. Estávamos no local desde as 16 horas com a sinalização preparada para a manifestação acontecer conforme a determinação judicial.” O advogado da Autovias, que estava no protesto, se recusou a gravar entrevista para comentar as acusações.
 
José Luiz do Nascimento, funcionário do Lar São Vicente em Patrocínio, discutiu com o capitão e garantiu que a sinalização só foi feita após o atropelamento. “Ele está errado de falar. Não tinha ninguém lá, não, muito menos, cones. Eu estava vindo para cá e só vi duas polícia (sic) na sombra. Foram sinalizar depois do acidente”, disse ele, se referindo à decisão do TJ, que determinava que a Autovias fizesse a sinalização da rodovia cinco quilômetros antes do ponto de concentração, alertando os motoristas sobre o protesto.
 
Às 18 horas, a pista foi liberada e os veículos seguiram em comboio até a entrada de Franca em baixa velocidade. O congestionamento foi de cerca de oito quilômetros.


Na delegacia
Nem o fim do protesto fez acabar com a troca de acusações. Representantes da Polícia Rodoviária foram até o plantão policial e registraram ocorrência contra os manifestantes por descumprimento de ordem judicial, o que teria provocado o atropelamento, e por interrupção de meios de transporte público. Já os manifestantes acusaram a polícia de, em vez de dar segurança na pista, preferir aplicar multas.
 
É neste clima de animosidade que novos protestos começam a ser marcados. Amanhã, a Cândido Portinari deve ser parada novamente. Na sexta-feira, moradores de Batatais e Altinópolis prometem travar a Altino Arantes. “Enquanto o governador não der a resposta de que não haverá mais pedágios, vamos nos mobilizar e fazer novos protestos”, finalizou Marco Garcia.

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