Sem acordo, Infacape deixa de atender 186 crianças carentes; mães reclamam


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Sheila Cristina Martins com sua filha, que estudava na Infacape; sem atendimento, ela teme por causa da falta de informação
Sheila Cristina Martins com sua filha, que estudava na Infacape; sem atendimento, ela teme por causa da falta de informação
A Infacape (Instituição Família Caetano Petráglia) anunciou nessa sexta-feira que deixará de atender 186 crianças carentes, com idades entre 6 e 10 anos. A instituição não assinou o contrato de renovação de convênio com a Prefeitura de Franca. O motivo: dinheiro. Segundo um ofício encaminhado pela diretoria da entidade à Prefeitura, a Infacape não tem condições de continuar prestando os serviços recebendo apenas R$ 120 por mês por criança em verbas municipais. A decisão foi tomada na semana passada, mas só se tornou pública agora. 
 
O diretor-administrativo da Infacape, João Roberto Abrão, explicou que cada aluno custa à instituição R$ 314 por mês. Até o ano passado, a Prefeitura fazia o repasse de R$ 167. Para este ano de 2016, a proposta apresentada foi o pagamento de R$ 120, mais subsídios como transporte, alimentação e material didático. Para a instituição, o valor é insuficiente. “Não atende as necessidades orçamentárias da fundação. Para manter o atendimento com a mesma qualidade e com este repasse, seria preciso lançar mão de um montante de recursos financeiros que a instituição não dispõe.”
 
O fim dos atendimentos foi comunicado à Prefeitura e às mães na sexta-feira antes do Carnaval. As mães deveriam procurar a Secretaria Municipal de Educação para serem orientadas sobre como seria o encaminhamento das crianças a outras instituições. Mas não foi o que aconteceu.
 
Até o fim da tarde desta sexta-feira, uma semana depois, as mães das crianças ainda não sabiam para onde seus filhos seriam encaminhados nem tinham informações sobre como será o atendimento. “Eu liguei lá na secretaria no número que nos passaram, mas ninguém soube me dizer nada. Estou desesperada, porque as aulas vão começar na segunda e eu não sei como ficará a vida da minha filha”, disse Sheila Cristina Martins. 
 
Ela mora no Jardim Boa Esperança e deixava a filha da Infacape, no Centro, para ir trabalhar. “Agora não sei como fazer. Não souberam me dizer nem para onde devo ir. Estou desesperada e perdida.”
 
A mesma situação é vivida por Fernanda Ferreira Lopes. Suas duas filhas estudavam na Infacape para que ela pudesse trabalhar. A família mora no Santa Luzia e também não sabe como será o futuro. “Eles (na Secretaria da Educação) não sabiam nada. Nem confirmaram se as minhas filhas estão de fato matriculadas em alguma escola. Eu não sei o que fazer. Estou com medo de elas não terem onde estudar.”
 
Resposta
Por meio da Assessoria de Comunicação, a Prefeitura admitiu falhas no processo de transferência das crianças. Segundo a assessoria, os alunos da Infacape devem ser encaminhados para um novo centro que será administrado pela Amafem e está sendo instalado no bairro São José, próximo ao Teatro Municipal. 
 
O início das aulas deve atrasar um pouco. A previsão é que o local esteja funcionando no final da semana que vem. “Vamos corrigir nosso erro e ligar para cada uma das mães e detalhar como será o atendimento e quais os procedimentos que elas deverão fazer”, informou a assessoria.
 

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