Não há como defender o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e sua secretária de Saúde, Rosane Moscardini, diante das graves irregularidades cometidas na contratação de médicos (pelo menos nove deles falsos) para atender nos dois Prontos-socorros da cidade, o “Dr. Álvaro Azzuz” e o Infantil. Como faz desde quando surgiram as primeiras denúncias de ilegalidades envolvendo o seu mandato, o chefe do Executivo francano se cala e, na tentativa de “enquadrar” quem aponta os seus erros na administração municipal, ameaça e persegue servidores. Alexandre acumula, a cada dia, novas denúncias que, certamente, serão apuradas e punidas com rigor seja pela CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta na Câmara para apurar a atuação dos falsos médicos no atendimento público de saúde no município, seja pela Justiça, que já abriu alguns processos contra o prefeito e alguns de seus auxiliares.
Não deixaram de causar espanto as afirmações do médico Vínio Cintra Oliveira, anteontem, na Comissão de Inquérito da Câmara. Em seu depoimento, admitiu a existência de um acordo entre os médicos do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e o prefeito Alexandre Ferreira para que os profissionais “trabalhassem menos, ganhando mais”. Vínio também confirma que Rosane Moscardini sabia de todas as irregularidades cometidas pelos profissionais do ICV (Instituto Ciências da Vida) no PS. O que mais espanta é que o médico diz que todos os profissionais que colocavam em dúvida a ação dos profissionais que “tomaram o Pronto-Socorro de assalto” eram perseguidos e punidos com a transferência para outras unidades.
Ainda no início das denúncias, quando o Comércio começou a descobrir a ação de falsos médicos nas duas unidades, Alexandre Ferreira usou do deboche e da desfaçatez, tentando desqualificar a gravidade do caso. Hoje sabe-se que a população francana ficou à mercê da ação de uma verdadeira quadrilha especializada em falsificar documentos que validassem a contratação de indivíduos desqualificados para a função. Alexandre e Rosane ainda não deram respostas críveis à maioria das irregularidades e ilegalidades levantadas pela CEI, tentando a todo custo evitar que documentos que envolvam a relação da municipalidade com os falsos médicos cheguem à comissão. Diante dos inúmeros depoimentos prestados até agora, o prefeito não pode alegar ignorância. Caso o faça, estará passando um recibo de incompetente contumaz à população que tenta convencer a lhe dar mais um mandato, ainda mais quando se sabe que ele dirigiu a Secretaria de Saúde por seis anos nos dois mandatos de Sidnei Rocha (PSDB).
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