Médico admite ‘acordão’ com Alexandre e afirma: ‘secretária sabia de irregularidades’


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Os vereadores Márcio do Flórida e Daniel Radaeli, presidente e relator da CEI dos Falsários, ouviram ontem o médico Vínio Oliveira
Os vereadores Márcio do Flórida e Daniel Radaeli, presidente e relator da CEI dos Falsários, ouviram ontem o médico Vínio Oliveira
O médico Vínio Cintra Oliveira reabriu nessa quinta-feira os depoimentos da CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga a ação de uma quadrilha de falsos médicos e os contratos assinados entre a Prefeitura e o ICV (Instituto Ciências da Vida), empresa responsável pela contratação dos falsários. Em seu depoimento, admitiu a existência de um acordo entre os médicos do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) para que os profissionais “trabalhassem menos, ganhando mais”. Vínio também confirma que a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, sabia de todas as irregularidades cometidas pelos profissionais do ICV no PS. 
 
O depoimento durou cerca de 40 minutos. Vínio contou que, antes da vinda do ICV para Franca, o prefeito Alexandre Ferreira tinha feito um acordo com os médicos. “Foram feitos acordos do tipo: o médico trabalha menos e te pago a mesma coisa. Um exemplo, o médico ganha R$ 2,8 mil, R$ 3 mil para trabalhar 12 horas. Aí trabalha seis e ganha a mesma coisa. É como se dobrasse o salário. Aqui nós vimos isso. Mas acontece em todas as cidades do Brasil, não é uma coisa desse prefeito, mas de todos os prefeitos.”
 
Vínio ainda contou que, assim que os profissionais ligados ao ICV chegaram a Franca, em junho do ano passado, logo começaram os problemas. “Eles entraram de forma truculenta. Eles acamparam no quarto de descanso e disseram que o lugar era deles.”
 
Disse que os servidores do pronto-socorro desconfiaram da capacidade técnica dos médicos ligados ao ICV. “Eles jamais entravam para fazer as urgências. Eles atendiam só aquilo que uma enfermeira mesmo resolveria, como uma triagem. Houve uma desconfiança generalizada.”
 
De acordo com o depoente, foram feitas diversas queixas aos então diretores do PS. Entre elas, o fato de os profissionais falsificarem as fichas de atendimento. “Os caras batiam 3, 4 carimbos diferentes. Tinha um que ia trabalhar com uma caixinha de carimbos embaixo do braço. O Ricardo Veríssimo (ex-diretor administrativo do PS) foi avisado e denunciou para a secretária.”
 
Segundo Vínio, pelo menos, seis servidores presenciaram as falsificações. “Eu conheço essas pessoas. São pessoas honestas, servidores de carreira, mas não falam porque têm medo de sofrerem com o assédio moral.” 
 
Ainda de acordo com Vínio, além do ex-diretor administrativo, os ex-diretores clínico e técnico do PS, os médicos Cláudia Poubel e Renato Del Bianco, também denunciaram as irregularidades à secretária municipal. “A atitude dela foi uma só: remover as pessoas que estavam incomodando de lá. Todo mundo que denunciou alguma coisa foi retirado do Pronto-socorro, transferido.”
 
O médico ainda afirmou que, por conta das denúncias contra o ICV, ele também acabou transferido para a UBS do Jardim Aeroporto e sofreu perseguição por parte da Prefeitura. “O assédio se tornou uma constante. Em um único dia, recebi sete notificações de sindicâncias contra mim. Até acusado de racismo, eu fui. Eu acabei tendo uma crise de hipertensão e um AVC, cujas consequências eu sofro até hoje.”
 
Sobre os falsos médicos, Vínio disse acreditar que a Prefeitura já tinha conhecimento do fato antes mesmo de ele vir a público, em julho do ano passado. “Eu soube bem antes disso. Nem estava mais no PS e eu sabia. Agora eu pergunto: se eu sabia, vocês acham que a Prefeitura também não iria saber?”
 
Por fim, o médico confirmou que não havia qualquer fiscalização sobre os médicos do ICV. “Nós, servidores concursados, éramos vigiados. Agora, os diretores não tinham qualquer autoridade sobre a firma (o ICV). Ninguém fiscalizava nada.”
 
O presidente da CEI, vereador Márcio do Flórida (PT), disse que o depoimento de Vínio foi importante para confirmar os fatos narrados por outras oitivas. O relator da comissão, o vereador Daniel Radaeli (PMDB), informou que agora os membros da Comissão devem se reunir para decidir quem serão os próximos convocados a depor. 
 
 

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