Preocupado com o número de casos suspeitos de dengue que aumenta a cada dia - somente ontem 74 foram notificados -, o diretor da Vigilância em Saúde, José Conrado Netto, teme que, neste ano, uma epidemia ainda maior que a de 2015, seja registrada em Franca. “O número de suspeitos cresce a cada dia e cidades vizinhas enfrentam situações preocupantes. Se a população não cooperar, será impossível contermos o avanço dos casos.” No ano passado, mais de 1,5 mil casos de dengue foram registrados em Franca.
Enquanto a cidade se mobiliza contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e febre chikungunya, muitos francanos ainda não fazem a lição de casa. Terrenos em todas as partes da cidade se transformam em depósitos de materiais que podem abrigar o inimigo.
Ontem, o Comércio percorreu vários bairros e encontrou terrenos que servem de depósitos irregulares de materiais que podem facilmente virar criadouros do mosquito, que se reproduz em água parada, limpa ou suja e, de acordo com especialistas, é extremamente adaptável. Jardim Paulistano, Zelinda, Cidade Nova, City Petrópolis, Estação e São José são apenas alguns dos locais que abrigam esses pontos.
“O zika e a dengue estão em todo lugar. Toda hora é uma notícia diferente e mais dúvidas surgem. Precisamos fazer a nossa parte, mas muitos ainda esquecem e acabam prejudicando todo mundo”, disse a dona de casa Maria de Lourdes Santana, que mora próximo a um dos terrenos sujos no Paulistano.
Entre os objetos mais comuns encontrados, estão latas de tintas e sardinhas, garrafas PET e de vidro, sacolas plásticas, papelão, telhas, móveis e copos.
“O mosquito está por todo lado fazendo mais vítimas a cada dia, e todos precisamos nos conscientizar disso e ajudar nessa luta”, disse o pespontador Marcos Donizete Mariano, 41, que mora no Jardim Zelinda, ao lado de um dos terrenos usados para descarte.
Segundo Conrado Netto, a Vigilância deve notificar os proprietários dos terrenos em que os materiais foram encontrados, assim como deve acontecer com os terrenos públicos. “Infelizmente não somos capazes de visitar todos os pontos ao mesmo tempo, por isso a ajuda da população é essencial. Aniquilar o transmissor é a única forma de evitar novos casos.”
Até ontem, 16 casos de dengue foram confirmados em Franca, além de 587 suspeitos. Outros 7 casos de chikungunya e 3 de zika vírus aguardam resultado.
Orientação médica
Conrado Netto afirma que as unidades de saúde estão capacitadas para receber os pacientes e salienta a importância da notificação para que o controle da transmissão seja feito. “Capacitamos os profissionais, tanto do setor público como do particular, desde o ano passado, para que os pacientes com dengue, zika ou chikungunya sejam diagnosticados e tratados rapidamente. As notificações são extremamente importantes para evitar a proliferação da doença. Por isso, orientamos que as pessoas que sentirem qualquer sintoma busquem atendimento médico, sempre”, completou o diretor da Vigilância.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.