Anos 50, Serra da Canastra. Família do sêo Ozorino e dona Filocelina Ferreira. Dona Filó aprontou o bebê, chamou os filhos pequenos, pôs sapatos neles, meias, pediu para os mais velhos colocarem terno e gravata. As duas filhas colocaram roupa de domingo. A mais velha, vestido florido; a mais nova, roupa de bolinha que quase lhe cobria os pés, para esconder as pernas finas. O pai e o filho mais velho puseram gravata. O terceiro filho, jaquetão de quatro botões, como o do pai. Os três, lenço branco no bolso externo do paletó. A matriarca, discreta, pôs vestido também cheio de flores, de cor clara. Pegou o caçula ao colo, enquanto o penúltimo lhe colava na barra da saia. O olhar de todos é olhar mineiro, desconfiado. Os chapéus ficaram no toco, lá atrás. A filha mais velha se tornou exímia costureira, cuidou da mãe até seu falecimento, aos cem anos de idade. A mais nova aprendeu cedo a profissão de cabeleireira, que ainda hoje exerce com competência. Todos se destacaram ao longo do tempo pela aguçada inteligência. Entre eles há médico, físico nuclear, dentista e engenheiro. Talvez fosse domingo, o dia da foto. Talvez fossem ou tivessem vindo da missa. Seus nomes, por ordem de nascimento: Eurípedes, Divino, Alda, Olegário, Edina, João, Juarez, José.
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