A falta de medicamentos na farmácia de alto custo de Franca, mantida pelo Governo do Estado de São Paulo, tem provocado a revolta de vários pacientes que necessitam da medicação para prosseguir com o tratamento e garantir uma melhor qualidade de vida. Entre os casos, estão o de duas pacientes que, mesmo após conseguirem na Justiça uma determinação para que os remédios fossem disponibilizados, aguardam desde dezembro para que a decisão seja cumprida.
Com 42 anos e há três em tratamento contra o câncer, a dona de casa Dinorá Silva Castro, precisa tomar todos os dias ao menos dez comprimidos. Entre eles, está o Votrient, cuja a caixa custa R$ 2.520. “Consegui em dezembro o direito de receber o medicamento, mas até hoje ele não chegou e não tem prazo para chegar. Como tenho somente um rim, só posso realizar esse procedimento em casa. O remédio serve para paralisar o tumor que, sem ele, continua crescendo e comprimindo os nervos. Nem a morfina consegue mais tirar a minha dor, sem ele”, disse.
Tentando amenizar um pouco o sofrimento da dona de casa, familiares e amigos se reuniram e compraram uma caixa do medicamento. “Minha família e amigos se mobilizaram para comprar uma caixa, mas os comprimidos acabam amanhã. Preciso de quatro caixas por mês e é impossível conseguir esse dinheiro.”
Há dois anos e meio, a estudante Roberta Fernanda Sartório, 19, descobriu um câncer agressivo na tireoide e precisa tomar diariamente um medicamento que custa R$ 7 mil. Além dele, o Os-cal, remédio para o cálcio que garante que ela sinta menos dor, também está em falta.
“A última vez que consegui o remédio para a minha filha foi no dia 19 de novembro. Desde então, ele está em falta e nenhum prazo é fornecido pelos responsáveis para que os remédios cheguem. O Caprelsa custa mais de R$ 7 mil cada caixa e ela precisa de duas por mês. Esse medicamento serve para minimizar a dor e garantir uma qualidade de vida melhor para a minha filha. Não temos condições de pagar por esse medicamento”, desabafou Milene Oliveira Sartório, mãe da jovem.
Segundo as pacientes, todos os dias elas buscam o DRS VIII (Departamento Regional de Saúde) em busca do remédio, mas os profissionais informam não saber quando eles finalmente chegarão.
“A situação é bem complicada. Os remédios são importantíssimos para o tratamento. Essa não é a primeira vez que está em falta, mas nunca demorou tanto. No caso dos comprimidos para o cálcio, estamos nos desdobrando e comprando, mas o outro é simplesmente impossível, pois não temos esse dinheiro”, completou Milene.
Justificativas
Procurado para comentar a situação, o DRS-8 informou apenas que, em atendimento à demanda judicial, os medicamentos em questão estão em processo de aquisição e que a situação deles será normalizada em breve. Questionada, a assessoria de imprensa se negou a responder o que teria motivado a falta dos remédios por tanto tempo e ainda quando exatamente eles devem ser disponibilizados para as pacientes, se limitando a dizer apenas que existe um processo burocrático para que os medicamentos sejam adquiridos.
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