Cibercultura e intimidade


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Gostemos ou não, a internet está aí, e full time. O acesso é fácil e pode se dar por meio de computadores, tablets e smartphones. Basta contratar operadora ou acessar alguma rede wi-fi disponível em dezenas de lugares públicos. Não tem volta. É, pelo menos na definição, como a prensa de Gutenberg, por meio da qual os escritos puderam ser duplicados rapidamente. Antes da prensa, para se obter uma cópia, era necessário utilizar-se de um copista ou escribas, e o preço era elevadíssimo. É por isso que, por décadas, livros foram expostos na sala da casa como forma de demonstrar poder econômico e cultura. Hoje, livros estão na internet, circulam em velocidade impressionante, são gratuitos ou podem ser adquiridos por preços baixos.
 
Estamos inseridos na cibercultura, no ciberespaço. Relacionamentos podem se dar sem presença física. É possível se comunicar com qualquer um, a custo bem reduzido. Informações e conhecimentos, antes concentradoss nas mãos de poucos, agora se tornaram universais. Essa revolução tecnológica gera repercussão no modo de viver contemporâneo. Formas de ser estão sendo modificadas pelo mundo virtual. 
 
O ‘dom da bilocação’ deixou de ser atributo de santos, ou iluminados. Todo mortal com acesso a internet, o possui. É possível estar em vários lugares ao mesmo tempo. Negócios, aulas, trabalhos, audiências, inúmeras atividades são realizadas virtualmente. Somos obrigados a nos moldar à geração digital e, ao invés de reclamar da mudança, devemos utilizar benefícios que ela proporciona. 
 
Ser criativo, não temer novidade, saber para onde ir, administrar tempo e adversidades e acreditar no próprio potencial são características necessárias para ser e estar nesse mundo, que se apresenta como terreno virgem de inúmeras possibilidades. 
 
Ao ser inserido nessa cultura, devemos explorar as possibilidades mas nunca expor nossa intimidade. Se for violada, recuparação é quase impossível. Caiu na rede é peixe! Viralizou! Já era!
 
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Unifran/Cruzeiro do Sul

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