Ainda no século passado, mais precisamente em 1994, o Brasil celebrou, mesmo com o protesto do principal nome do Partido dos Trabalhadores, Luís Inácio Lula da Silva, a criação do Plano Real que, nos vinte anos seguintes, consolidou a estabilidade econômica do País. O principal “monstro” que ameaçava a vida brasileira, a inflação, foi finalmente derrotado e aí conseguimos caminhar, com uma moeda estável. Na sequência, a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal foi o principal instrumento para impedir que administradores públicos gastassem mais do que arrecadassem. Ainda em 2014, houve comemorações e solenidades em reconhecimento às medidas tomadas ainda no governo de Itamar Franco (o vice que sucedeu Fernando Collor de Mello após o seu impeachment) que trouxeram não apenas estabilidade, mas também fortaleceram o setor produtivo brasileiro.
Lula tomou posse, em 2003 e, contrariando tudo o que vinha dizendo, manteve toda a linha do plano que havia atacado antes. Mas, cercado por uma meia dúzia de sectários, deixou muitos dos benefícios saírem pelo ladrão, literalmente. Empresas estatais (por sorte, FHC havia privatizado algumas delas) foram sucateadas, a política econômica firmou-se em pilares que hoje se mostram equivocados, como a maciça desoneração da economia e a contabilidade criativa do ex-chefe do Tesouro, Arno Augustín. Ao fim de duas décadas, o Brasil volta a conviver com uma inflação crescente que ultrapassa a meta definida pelo governo, quedando-se os perigosos dois dígitos. A moeda brasileira só se desvaloriza e todos os setores produtivos enfrentam uma retração produtiva que leva os índices de desemprego a níveis históricos.
O brasileiro, hoje, já não consegue planejar as suas contas, principalmente a dona de casa que compra os alimentos que sobem mês a mês. Principal custo de vida das famílias brasileiras, alimentos e bebidas mais do que dobraram de preço nos últimos dez anos, período em que avançaram acima da média inflação geral do País. Cálculo da consultoria Tendências com a base de dados do IBGE mostra que a inflação do grupo alimentação e bebidas foi de 124,12% de fevereiro de 2006 a janeiro de 2016. No mesmo período, o índice oficial de inflação teve um aumento de 78,42%. Não há orçamento que resista a números como estes. A alta dos alimentos, além de fatores climáticos (ou chove muito ou falta chuva), deve-se a uma série de insumos (como combustíveis, energia elétrica e logística de transporte, que inexiste por aqui). Como se pode ver, tudo o que foi feito vinte anos atrás está se perdendo diante de um governo ineficiente, passivo, sem força política e nadando na lama da corrupção. Até quando o brasileiro vai suportar?
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