Empresária fará curso na prestigiada Le Cordon Bleu


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Elis Regina do Val comanda, ao lado do marido, o Bufê Empório; empresária quer trazer aprendizados da Europa para sua empresa
Elis Regina do Val comanda, ao lado do marido, o Bufê Empório; empresária quer trazer aprendizados da Europa para sua empresa
Os aromas dos sabores que ela cria remetem à sua infância, quando brincava em meio a hortas fartas de ervas e assistia às panelas da mãe e das avós fumegarem nos fogões. A destreza para calcular quantidades de alimentos, traçar perfis de eventos e até analisar emoções, aposta ela, vem da formação em engenharia civil, sua primeira profissão. É assim, em meio a temperos e contas, que a empresária Elis Regina do Val, 54, atravessa os dias, envolvida com as atividades do Buffet Empório. Para coroar a trajetória e aperfeiçoar o talento, ela embarcou na terça-feira passada para a Europa, onde frequentará um dos cursos da Le Cordon Bleu, escola de culinária reconhecida internacionalmente.
 
Quando se trata da vida profissional, alçar voos alvissareiros não é novidade para Elis. Basta citar que ela e o marido, Sérgio Alexandre Ramos do Val Júnior, 56, tiveram a bravura de preterir as carreiras de engenheiros civis para deixar fluir uma paixão maior, que é a culinária, e imergiram no mundo da gastronomia sem medo de errar.
 
E mesmo Elis tendo exercido a profissão de formação por 16 anos, a importância maior da graduação feita na Unesp de Bauru não está no diploma. “A faculdade foi onde nos conhecemos. Eu sou nascida em Bauru e o Serginho foi daqui para lá para estudar. Casamo-nos em Bauru e só depois viemos para Franca”, disse.
 
Elis conta que, de Franca, além de sede de aprendizado e vontade de vencer na vida, quando chegou a Bauru, Sérgio levou também ideia de montar um trailer de lanches com o sugestivo “nome francano” de Bolota. Fez sucesso. Uma adaptação do sistema drive thru, novidade na cidade, conquistou público e atraía jovens em repetidas happy hours. Entre eles, estava a menina Elis, que teria ali o seu primeiro contato com o que não mais sairia de sua vida: um jeito profissional de tratar a comida.
 
Mais tarde, em 1990, já com diplomas e certidão de casamento em mãos, radicado em Franca, o casal abriu a mercearia Empório - casa que comercializava frios, queijos e antepastos na rua Ouvidor Freire, mesmo endereço que sedia o bufê nos dias de hoje.
 
As adaptações às demandas de mercados fizeram com que a dupla diversificasse os produtos e serviços oferecidos e, em meados de 1996, Elis e Sérgio passaram a oferecer uma espécie de ‘festa delivery’, um embrião que se transformou em restaurante e bufê em pouco tempo.
 
Os engenheiros dos sabores passaram, então, a atender desde sofisticadas reuniões íntimas e casamentos estilo mini wedding ou grandiosos, até megaeventos empresariais para mais de 2 mil convidados. “Sempre tivemos em mente que precisamos atender a qualquer tipo de evento e de público, sempre com a mesma qualidade”, disse Elis.
 
Mas, claro, concretizar tudo isso não foi fácil. Antes de alcançar tais conquistas, a dupla precisou conseguir algo bem mais minucioso, repleto de variáveis e peculiaridades: o paladar das mais diferentes pessoas. 
 
Para esta missão, o comando da nave - ou cozinha - sempre esteve com Elis, que carrega consigo aptidões inatas para criar as receitas oferecidas nos menus do Empório, mas nunca perdeu de vista a necessidade de se aprimorar. Neste sentido, a vontade incessante de conhecer mais sobre culinária passou a fazer parte de sua rotina. Comprova isso o fato que nem ela, que é expert em cálculos, consegue estimar quantos certificados acumula de cursos de culinária. As temáticas passeiam por chocolates, massas finas, finger foods, pratos quentes, frios, peixes, filés e uma infinidade de outros sabores. “Eu faço cursos desde 2004. São centenas. Dificilmente passo um mês sem fazer um curso. Faço em São Paulo, no Rio de Janeiro e diversos outros lugares (...), tenho um armário inteiro só de apostilas”, disse, destacando um de Técnicas Culinárias, cursado na unidade paulistana do Senac. 
 
As aulas, segundo ela, lhe deram base, inclusive, para prestar com maestria um trabalho voluntário em Franca. “Por três anos eu ensinei pessoas assistidas pelo Fussol (Fundo Social de Solidariedade). Foi um período maravilhoso, o objetivo era ajudar as pessoas a conhecerem mais para melhorarem a renda, e isso é recompensador”, disse.
 
Le Cordon Bleu
Elis conta que em meio a tanto trabalho e estudo o nome da escola Le Cordon Bleu é recorrente nas apostilas, nas conversas, nas críticas de especialistas. E um desejo foi tomando forma. “De dois anos para cá, passei a carregar o sonho de conhecer de perto a Cordon, de aprender alguma coisa na maior escola de culinária do mundo”.
 
Movida pelo sonho e embalada pelo incentivo do marido, Elis pesquisou e decidiu transformar uma viagem à Europa em uma grande academia de sabores. Com a ajuda de uma agência de turismo paulistana especializada neste segmento, ela traçou um roteiro que mistura lazer, estudo e gastronomia.
 
Elis seguiu para o velho continente na semana passada e, no próximo dia 10, fará check-in em uma sala de aula londrina da Le Cordon Bleu. Embora seja sediada em Paris, a prestigiada escola possui unidades em outros países, incluindo México, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Japão e Inglaterra, onde a empresária fará um dos cursos de curta duração.
 
Conhecida por manter as tradições da culinária e pâtisserie francesa, a Le Cordon Bleu ensina desde 1895 e promete habilitar o aluno para trabalhar com sucesso e criatividade na culinária mundial.
 
Ciente da importância da escola que faz parte do currículo de várias personalidades - que vão do chef Erick Jacquin, um dos apresentadores do programa televisivo MasterChef, até a princesa de Gales, Lady Diana -, Elis afirma que conta as horas para chegar o dia de sua aula inaugural. O que ela espera? “Boa pergunta”, responde ela, aos risos. “É a maior escola de habilidades culinárias do mundo. Pretendo aprender, aperfeiçoar e captar o que posso trazer para nós. O que eu vou encontrar na volta eu conto”, disse, entusiasmada. 
 
E quando for contar, ao que tudo indica, contará também que um segundo sonho, mais ousado, ganhará força e forma: o de fazer o curso principal da Le Condon Bleu na escola-sede na França, o que requer tempo, preparo intenso para habilitação e fluência preferencialmente na língua francesa. 

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