Até a vinda de Jesus, vigorava a “lei de talião”, expressa no “olho por olho, dente por dente”, mandando que a punição fosse de natureza igual à do crime cometido.
Mas, veio o Cristo de Deus e subverteu a ordem vigente, fazendo valer a lei do amor, sem que o culpado ficasse livre de responder por sua falta. A visão de justiça exerce-se, agora, de mais alto, considerando o atraso do ser humano e sua carência de luz.
É, então, a compaixão e a misericórdia promovendo o progresso, enobrecendo os sentimentos.
Todavia, com a expressão “...De lá não saireis enquanto não houverdes pago até o último ceitil”, o Mestre asseverava que a Lei não faz conchavos, é de consequências, é de causa e efeito, “a cada um segundo as suas obras”.
Aclara-nos, contudo, o entendimento de que podemos resgatar nosso passado escabroso com a prática da caridade, do amor. Pedro o secundou, ao lembrar: “o amor cobre milhões dos pecados.”
Depois, lembrando Jesus, vem o Espiritismo e nos esclarece, primeiro que a Lei de Deus é misericordiosa, concedendo-nos renovadas oportunidades redentoras, na forma de sucessivas reencarnações (não ignoradas pelos antigos). Experienciar na carne, para ter vida abundante no espírito imortal.
Mostrou, não só os mecanismos de aplicação da pluralidade das existências, mas também sua finalidade suprema e que a volta à carne é compulsória até que nos depuremos, evidenciando ainda mais o sentido da lei de causa e efeito: ação no bem, efeito abençoado.
A propósito, o último capítulo da novela ‘Além do tempo’, da TV Globo, apresentou cena em que um personagem é assassinado por outro, invertendo o que lhes ocorrera no passado.
Lembremos, contudo, que o espírito jamais se prepara para reencarnar com intenções criminosas, mas, como evoluir requer felicite-se pela reconciliação, esquecer o passado é providencial expediente a recomendar: amar, eis a solução feliz.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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